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Há 11 anos com gaúchos, seleção volta ao RS com treinador que "não grita"

Tite conduz seleção brasileira em Porto Alegre, onde treinou Inter e Grêmio - Pedro Martins/MoWA Press
Tite conduz seleção brasileira em Porto Alegre, onde treinou Inter e Grêmio Imagem: Pedro Martins/MoWA Press

Marinho Saldanha e Pedro Ivo Almeida

Do UOL, em Porto Alegre

31/08/2017 12h00

Tite carrega uma herança. É o quarto técnico gaúcho seguido da seleção. O atual comandante foi forjado no interior do Estado como todos aqueles que estiveram à frente do time nos últimos 11 anos: Dunga, Mano Menezes, Felipão e Dunga de novo. Nesta quinta, ele joga "em casa" pela primeira vez, contra o Equador, na Arena Grêmio. Só que exibirá em campo uma postura bem diferente de seus conterrâneos.

Historicamente, os comandantes gaúchos são conhecidos por um estilo "Xerifão", com condutas baseadas em um regime quase militar, montando times que primam pela disputa física e conduzindo grupos de trabalho com mão de ferro. Estilo forjado em nomes históricos como Ênio Andrade e Carlos Froner, este último uma referência para Luiz Felipe Scolari, aquele que mais teve sucesso no comando da seleção.

Tite, ainda que beba da fonte, não tem o mesmo método. 'A dita 'garra gaúcha', repetida a partir dos nomes históricos, é diferente no treinador. Homem de diálogo, ele não grita, não esbraveja, e até em momentos complicados tem explicações técnicas e táticas com seu tom de voz pausado. Diante das câmeras, é capaz de admitir falhas como na última quarta, quando concordou com os críticos que poderiam ter convocado nomes diferentes. 

No trato com os jogadores, igualmente, destoa de Felipão e companhia. Sob seu comando, a seleção chega ao décimo capitão diferente em um ano, com a braçadeira como exemplo máximo do modelo de liderança horizontal que ele procura construir desde os tempos de Corinthians. Com esse perfil, conquistou tudo o que podia no Corinthians, depois de ter deixado marcas em Grêmio e Inter, e agora influencia novas gerações de treinadores. 

Hoje, se formam mais 'Tites' que 'Felipões' pelo interior do Rio Grande do Sul. Rogério Zimmermman (recentemente demitido do Brasil de Pelotas), Beto Campos (campeão gaúcho pelo Novo Hamburgo e que passou pelo Náutico), Luiz Carlos Winck (hoje no Criciúma) e Guto Ferreira (do Internacional), por exemplo, não cansam de repetir que veem o atual técnico da seleção como ícone.

Tite é superior à rivalidade Gre-Nal

Na segunda-feira o Brasil treinou no CT do Grêmio. Das salas do local, na zona norte de Porto Alegre, o presidente Romildo Bolzan Júnior acompanhou a atividade como chefe da delegação no Sul e com desejo de abraçar Tite. O mesmo fizeram os diretores do futebol gremista. "É um grande cara", disse Bolzan. Na terça, o cenário se repetiu no Beira-Rio. O presidente do Internacional, Marcelo Medeiros, permaneceu nas cadeiras do estádio só pela oportunidade de conversar com o treinador. "Vim dar um abraço no professor Tite. Sou grande apreciador do trabalho dele", disse o mandatário ao UOL Esporte.

Os atos dos dois presidentes só refletem o respeito que Tite conquistou. Foi o Grêmio que deu a primeira grande chance a ele. Em 2001, o time azul, branco e preto foi buscá-lo no Caxias, onde tinha conquistado o Campeonato Gaúcho exatamente sobre eles no ano anterior. Por lá ergueu as taças da Copa do Brasil e Gauchão logo no primeiro ano. O Inter veio mais tarde, em 2008. E no Colorado foi campeão do Gaúcho, da Sul-Americana e da Copa Suruga Bank. Ambos, em outros momentos, voltaram a tentar a contratação de Tite, dadas portas abertas deixadas. Mas sem sucesso. 

Antes do treinamento de quarta-feira, foi a vez de Tite puxar uma homenagem, mostrando que guarda também boas lembranças do Sul. Ele chamou o superintendente Antonio Carlos Verardi ao campo antes da atividade da seleção na Arena do Grêmio. O cartola participa do departamento de futebol gremista há aproximadamente 40 anos, é muito respeitado no clube e conviveu com Tite no período em que ele trabalhou no clube. Falou, recebeu presentes e foi aplaudido pelos jogadores antes de trocar carinhosos abraços com os membros da comissão técnica brasileira. 

Comissão técnica, organização, time: RS na seleção

Não é só Tite que terá motivos para se sentir em casa na Arena Grêmio, nesta quinta-feira. A comissão técnica e o estafe de apoio da seleção estão repletos de profissionais com passagem pelo Estado. Cléber Xavier acompanhou Tite em Inter e Grêmio. O preparador físico Rogério Dias trabalha no Grêmio, o analista de desempenho Maurício Dulac é profissional do Inter, e o profissional de logística Luís Wagner Vivian também passou pelo Tricolor, a exemplo do segurança Fernandão e do assessor de imprensa Douglas Lunardi. O preparador físico Fábio Mahseredjian trabalhou tanto no Inter quanto no Grêmio, enquanto Taffarel foi goleiro do Internacional. Até Marquinhos, profissional da rouparia, também trabalha no Grêmio. 

No time, Alisson e Taison foram formados na base do Inter, Cássio no Grêmio. Giuliano jogou nos dois, Luan ainda defende o Tricolor. Thiago Silva, por último, passou pelo RS Futebol - antiga equipe de base da cidade de Alvorada-RS - e pelo Juventude. 

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