Com "mais caro do mundo" após 19 anos, seleção pode ganhar com novo Neymar
A partida contra o Equador nesta quinta-feira, em Porto Alegre, também abre um novo ciclo para Neymar no que diz respeito à seleção brasileira. Agora o jogador mais caro do mundo, fruto de sua transferência por 222 milhões de euros (R$ 824 milhões) ao Paris Saint-Germain, ele vislumbrou a mudança de Barcelona para a França ao colocar na balança, entre outros pontos, os fatores Brasil e Copa do Mundo de 2018.
Para a seleção, há o simbolismo. Pela primeira vez desde Denilson, em 1998, um atleta do país não tinha o título de "mais caro do planeta". Para Neymar, a transferência ainda pode ter reflexos no campo. Aos 25 anos, ele vê nessa mudança a chance de alcançar protagonismo em uma das atuais potências da Europa e, por consequência, também jogar de maneira mais semelhante à que exibe na seleção. Logo após sua estreia no Parc des Princes, contra o Toulouse (último dia 20), ele falou sobre isso.
“Sim [a transferência é melhor para a seleção]. Eu jogo da mesma forma, tenho liberdade, fico mais com a bola e acabo me movendo pela mesma faixa do campo”, declarou Neymar. “Na verdade, no Barcelona eu estava tendo mais liberdade também. Só que aqui [no PSG] ainda é diferente. Acho que jogo da mesma forma [da seleção], sim”, acrescentou.
A avaliação de Neymar é que, a cada ano, jogar ao lado de Lionel Messi e Luis Suárez representaria fazer sacrifícios pelo lado do campo. Na temporada passada, a média de gols dele diminuiu de maneira considerável, e o protagonismo seguiu dividido com os companheiros.
Quando fala em ser protagonista, Neymar deseja basicamente três aspectos: menos obrigações defensivas que no último ano, mais tempo com a posse de bola e, acima de tudo isso, liberdade para circular além da ponta esquerda.
Nos Jogos Olímpicos, foi o atacante quem sugeriu ao treinador Rogério Micale a mudança de posição do lado para a faixa central, onde se destacou não apenas com gols, mas também assistências. Com Tite, esse cenário tem se mantido, apesar da exigência para o sacrifício na marcação ser frequente.
Ao se transferir para o PSG, Neymar entendeu também que encontraria um cenário favorável para ficar mais próximo de seus dois grandes objetivos. Conquistar a Liga dos Campeões, grande ambição do Paris e de seus proprietários, mas em uma posição de maior destaque que no Barcelona, foi o primeiro. O segundo, naturalmente, é vencer a Copa do Mundo de 2018, quando ele deve estar no ápice físico e técnico da carreira.
A mudança, por mais que representasse muito do ponto de vista financeiro, também encontrou resistência em seu estafe. O entendimento é que Neymar deixaria uma das principais ligas do mundo, a espanhola, para atuar em um torneio de nível técnico inferior, o Francês. Por outro lado, essa troca permitirá a ele se concentrar mais nos rivais mais difíceis, como Monaco, Nice, Olympique Marseille e Lyon, e na Liga dos Campeões.
Dentro desse contexto, a seleção brasileira deverá ser beneficiada, pensa Neymar. O atacante acredita que poderá evoluir com mais responsabilidades no PSG e chegar à Copa da Rússia em condição física perfeita. Nos últimos Mundiais, vale lembrar, vários grandes jogadores enfrentaram dificuldades para atuar em seu melhor nível. Casos, por exemplo, de Cristiano Ronaldo e Diego Costa, no Brasil, em 2014, depois de decidirem a Liga dos Campeões. O próprio Neymar, no último Mundial, terminou a temporada espanhola com um problema no pé.
A formação de um grupo brasileiro em Paris, naturalmente, está ligada ao contexto imaginado por Neymar. Em seu novo clube, o atacante atua com três dos principais amigos que possui na seleção: Daniel Alves, que se juntou ao PSG por sugestão dele, Marquinhos, com quem trocou mensagens ainda no início das conversas pela transferência, e Thiago Silva, companheiro desde as primeiras convocações para vestir a camisa amarelinha. Além deles, Lucas Moura, amigo desde os tempos de base da seleção, e Thiago Motta, que defende a Itália, também estão no elenco.
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