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Técnicos fazem lobby para CBF contrariar clubes e limitar trocas

Uma comissão de treinadores se reunirá com o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero - Marcelo Sayão-22.out.2015/EFE
Uma comissão de treinadores se reunirá com o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero Imagem: Marcelo Sayão-22.out.2015/EFE

Bruno Braz, Pedro Ivo Almeida e Rodrigo Mattos

Do UOL, no Rio de Janeiro

21/08/2017 13h55

Em encontro realizado na manhã desta segunda-feira (21), na CBF, a Federação Brasileira dos Treinadores de Futebol (FBTF) repetiu o discurso que pede mais estabilidade aos técnicos no país.

A ideia de limitar o número de trocas de treinadores por um clube durante a temporada não chega a ser uma novidade, mas a pauta sempre foi derrubada em arbitrais e reuniões de conselho técnica na Confederação. Diante disso, a FBTF mudou a estratégia e resolveu aumentar o lobby diretamente com a cúpula da CBF.

Após o encontro durante a manhã, uma comissão de treinadores se reunirá com o presidente da entidade, Marco Polo Del Nero, e solicitará que a ideia que visa dar mais estabilidade ao cargo se torne regra por uma decisão do mandatário, sem mais necessidade de ser aprovada por clubes – sempre contrários à regra e interessados no tão criticado “troca troca”.

“A CBF tem a autonomia dentro do Regulamento para restringir dentro das Séries A e B. Se for geral, passaria por cima dos clubes. Seria decisão da CBF”, defendeu Vagner Mancini, um dos líderes do movimento e membro da Federação Brasileira de Treinadores de Futebol.

“Não tem legislação para que os clubes respeitem os treinadores. Não somos contra a quebra de contrato. Se quiser trocar, o clube tem que cumprir os direitos do técnico que sai”, completou o treinador do Vitória.

“Não adianta falar com os clubes. Troca de técnico é o poder que o clube tem de transferir a responsabilidade. Trocar uma peça e não precisar pensar nas contratações que fez errado. Eles [times] não abririam mão desse poder”, analisou Rogério Micale, do Atlético-MG.

O discurso foi reforçado por Tite, técnico da seleção brasileira masculina de futebol.

"A troca de técnicos tem que ser diminuída. É impossível desenvolver um trabalho. Isso é contraproducente, o futebol não evolui assim. Se um clube puder ter apenas dois profissionais para trabalhar, escolha bem e dê condições", disse o treinador.

"Assim como termos habilitação e exigência de qualificação. Nós devemos melhorar, seremos melhores profissionais. Queremos que a Conmebol padronize os cursos que possam proporcionar. A gente quer isso. Queremos também a conduta. Que outros setores, no caso dirigente, também se qualifiquem. Os fatores foram ouvidos pela CBF, e que a partir daí vejam se pode viabilizar ou não", completou,

Licença internacional em debate

Outro ponto discutido no encontro foi a validade de licenças para técnicos brasileiros em outros países e a necessidade de capacitações para nomes que venham de fora – como o colombiano Reinaldo Rueda, que chegou ao Flamengo.

"Não temos problemas com nenhum nome de fora, queremos apenas que sejamos validados no exterior", disse Vagner Mancini, lembrando que a licença dos cursos da CBF ainda não é reconhecida em outros países.

"Mas já escutamos da CBF que eles estão em conversas avançadas com Conmebol e Fifa para resolver isso. É uma questão de tempo, bem breve", completou o técnico do Vitória.

"Queremos todos, não há diferença de país. A concorrência em termos elevados só qualifica. A diferença não é de estrangeiro ou não... é de qualidade", opinou Tite.

A Confederação se reunirá com a Fifa na próxima quarta (23) e quinta-feira (24) para tentar resolver o assunto. Com isso, a principal licença do curso nacional (nível 1) passaria a ser aceita em outros países.

"Estamos perdendo chance e mercado fora do Brasil. Não queremos impedir ninguém de vir aqui, mas também queremos trabalhar lá fora", encerrou Mancini.

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