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JBS comprou porcentagem do Mineirão para pagar propina a governador de MG

Mineirão teria sido usado para enviar propina ao governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel - Luana Cruz/UOL
Mineirão teria sido usado para enviar propina ao governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel Imagem: Luana Cruz/UOL

Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo

22/05/2017 19h42

As delações premiadas do grupo JBS indicam que o Mineirão foi usado para repassar propina de R$ 30 milhões ao então governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT). Joesley Batista disse que em 2014 foi orientado pelo próprio Pimentel a comprar 3% de participação da empresa que tem a concessão do estádio por esta quantia.

O delator disse que recebeu o pedido de Edinho Silva, tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff. Como o valor iria zerar o saldo que ela tinha a receber, procurou a então presidente da República. Durante uma reunião, a solicitação foi confirmada.

Joesley afirmou em depoimento que voou para Belo Horizonte no mesmo dia e encontrou o governador eleito no Aeroporto da Pampulha. No local, foi explicado como deveria proceder - comprar uma porcentagem do Mineirão. O executivo da JBS não explicou qual engenharia fez o dinheiro chegar até Pimentel.

O governador eleito era bastante próximo de Dilma. Os dois se conheceram na década de 1970 quando combatiam a ditadura. Assim como a ex-presidente, Pimentel foi preso por três anos e viveu na clandestinidade. Ao assumir a presidência, a amiga de longa data nomeou Pimentel ministro do Desenvolvimento e mais tarde ele contou com apoio dela na campanha que tirou o governo de Minas Gerais de Aécio Neves.

Em delação, Joesley Batista disse que comprou porcentagem do Mineirão para pagar propina - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

O que diz Fernando Pimentel

A assessoria de imprensa do governador informou que não iria se manifestar porque entende se tratar de verba para campanha e, por este motivo, quem deve responder é o Partido dos Trabalhadores.

O que diz o PT

O PT/MG esclarece que todas as informações referentes à prestação de suas contas eleitorais, assim como de seus candidatos, foram devidamente apresentadas à Justiça Eleitoral, onde constam arquivadas e à disposição do público.

O que diz o Mineirão

A administração do estádio negou que a JBS tenha participação na empresa.

O que diz a JBS

A empresa enviou uma nota afirmando que todos os dados estão com a Justiça e o Ministério Público. Ainda reiterou a vontade de combater a corrupção. Abaixo, a íntegra da nota.

A J&F entende que o mecanismo de colaboração premiada está permitindo que o Brasil mude para melhor. Não seria possível expor a corrupção no país sem que os responsáveis pelos atos ilícitos admitissem e relatassem como e com quem agiram, fornecendo provas.

Joesley Batista e outras seis pessoas realizaram um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), conforme divulgado pelo Supremo Tribunal Federal, que homologou a delação, na última quinta-feira (18).

Todos os atos ilícitos que a companhia e seus executivos cometeram no passado foram comunicados à PGR e estão documentados nos autos da delação premiada homologada pelo Supremo Tribunal Federal. As informações, dados e provas encontram-se em poder da Justiça, órgão responsável pela avaliação de tais documentos. A Companhia segue em seu firme propósito de colaborar com a Justiça brasileira no combate à corrupção no país.

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