PUBLICIDADE
Topo

Futebol


Empresa que pretende vestir o São Paulo já foi acusada de apoiar homofobia

Adriano Wilkson

Do UOL, em São Paulo

03/09/2014 06h00

A Under Armour, fabricante norte-americana de material esportivo, espera com urgência, até o fim desta semana, uma resposta do São Paulo sobre a proposta de patrocínio feita ao clube. A diretoria abriu concorrência para encontrar uma parceira que substitua a Penalty como sua fornecedora de equipamento esportivo a partir de 2015.

Com 18 anos de existência e um ano e meio de atuação no Brasil, a Under Armour é pouco conhecida da maioria dos torcedores e espera se aliar a clubes de futebol para se popularizar. Atualmente, a marca é a segunda maior do mercado dos EUA e conseguiu contratos com alguns clubes – o Totteham, da Inglaterra, é o mais importante deles – e vários atletas, como o quaterback Tom Brady, marido da modelo Gisele Bundchen .

No ano passado, a empresa se envolveu em uma polêmica que irritou os setores mais progressistas da sociedade americana e chegou a ser acusada de dar guarida a comentários homofóbicos e racistas de um de seus patrocinados.

Em dezembro, o ex-jogador de futebol americano e atualmente caçador profissional Phil Robertson deu uma entrevista em que disse ser a homossexualidade um pecado. Branco, ele também afirmou que a vida dos negros era melhor antes das lutas por igualdade racial no meio do século passado.

Robertson é a estrela de “Os Rei dos Patos”, o programa mais visto da TV paga americana, sobre uma família que caça os animais no sul dos EUA. O programa é patrocinado principalmente pela Under Armour, que tem uma linha de roupas dedicada a caçadores e pescadores.

Depois da entrevista, Robertson foi suspenso da emissora que transmite o programa, que também passou a veicular uma campanha de combate ao preconceito. A Under Armour (assim como outros apoiadores do reality) foi pressionada por consumidores a cancelar o patrocínio, sob risco de ser vista como defensora do posicionamento anti-gay de Robertson.

A empresa chegou a esconder em seu site produtos ligados ao programa, mas não cortou relação com o caçador, que depois disso reafirmou que comportamentos homossexuais são pecaminosos e contrários às leis bíblicas.

Em um comunicado, a empresa se limitou a dizer que os comentários de Robertson “não representam as visões da marca.” Ela continua patrocinando "Os Reis dos Patos".

Não foi a primeira vez que a futura nova parceira do São Paulo se envolveu em polêmica desse tipo. Um ano antes, a Under Armour também foi instada a cancelar repasse de verba ao jogador de futebol americano Matt Birk, que se engajara em uma campanha para impedir a aprovação de uma lei que permitiria o casamento gay no estado de Maryland, onde está a sede da empresa.

Marca quer se popularizar com o São Paulo

Marcelo Ferreira, diretor-executivo da empresa no Brasil, afirma que seu objetivo é se tornar mais conhecida no país através do patrocínio a clubes de futebol. De acordo com ele, a maior parte dos atuais consumidores dos produtos Under Armour são brasileiros que conheceram a grife em viagens ao exterior.

O São Paulo não foi o primeiro time com quem a emprese manteve conversas, mas é aquele que melhor sequência deu às negociações. O clube abriu concorrência para mudar de fornecedor depois que se envolveu em discussões públicas com a Penalty, acusada pela diretoria de não cumprir o contrato fechado em 2012.

A Puma, marca alemã que já fornece equipamento ao Botafogo e ao Atlético-MG, por exemplo, é outra empresa que cobiça estampar o uniforme são-paulino. De acordo com quem acompanha a negociação, porém, os americanos estão mais perto.

“Somos uma marca cuja missão é oferecer o que tem de melhor para os atletas com quem trabalhamos”, afirma Ferreira. “A Under Armour é a empresa de seu ramo que mais cresce no mundo, e estamos sempre atentos a parceiros que se coadunem com o nosso espírito.”

Fundada em 1996 por um ex-jogador de futebol americano, a empresa fez seu nome ao criar uma tecnologia de camisas esportivas que facilitava a evaporação de suor do corpo do atleta. Foi rapidamente copiada por gigantes do ramo, como Nike, Adidas e Reebok.

Seus primeiros contratos de patrocínio foram firmados com times de ligas inferiores do futebol americano. Mas a empresa ficou famosa mesmo depois de aparecer no filme “Um Domingo Qualquer”, dirigido por Oliver Stone, com atuação de Al Pacino e Cameron Diaz.

Os primeiros passos da marca nos campos do soccer, foram com o Tottenham e com times mexicanos, como Cruz Azul e Toluca, além do chileno Colo-Colo. No Brasil, a empresa pretende desafiar as gigantes do mercado e brigar por contratos com grandes clubes.

O São Paulo seria só o primeiro deles. O vice-presidente de marketing do clube, Julio Casares, que poderia comentar a negociação, não atendeu às ligações da reportagem.

Futebol