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Punição da Fifa é novo duro golpe em reputação boazinha do Barça

Fernando Duarte

Do UOL, em Londres

03/04/2014 06h00

A decisão da Fifa de punir o Barcelona com um embargo de um ano em transações de jogadores ainda oferece recurso, mas o que já parece irreversível é o duro golpe na reputação de um clube que durante décadas apresentou uma imagem de ‘’bonzinho”.  Depois de décadas despertando admiração a partir do moto “Mais que um Clube”, os catalães veem o escândalo da contratação irregular de jogadores menores de idade se juntar a uma série de episódios controversos.

O mais recente deles envolve Neymar: em janeiro, o Barcelona foi acusado pelas autoridades espanholas de evasão fiscal na transação em que tirou o atacante do Santos. Em maio de 2013, o clube declarou ter pago 57 milhões de euros pelos serviços da maior estrela do futebol brasileiro na atualidade, quando na verdade o custo total foi pelo menos 70 milhões mais caro, incluindo um pagamento de 40 milhões para o pai do jogador.

Foi o suficiente causar a renúncia o então presidente do clube, Sandro Rosell, o mesmo que vinha se mantendo no cargo mesmo diante das graves acusações envolvendo seus negócios com o ex-mandatário da CBF, Ricardo Texeira, incluindo o superfaturamento de um amistoso da seleção brasileira e o desvio de cotas de amistosos do time.

A gestão de Rosell também tinha criado controvérsia por conta da decisão de acabar com a tradição de resistência do Barcelona diante do comercialismo no futebol. Em 2010, o clube assinou um acordo de 165 milhões de euros com o governo do Catar que pela primeira vez estampou um patrocinador convencional na camisa blaugrana, a Autoridade de Investimentos do Catar – desde 2006 o time tinha um acordo com o Unicef, fundo das Nacões Unidas para a criança, pelo qual pagava pelo “patrocínio”. Três anos mais tarde, a era coportativa no Camp Nou teve início com o anúncio de que a empresa aérea estatal Qatar Airways assumiria o ‘’manto” catalão.

Mas houve decisões também envolvendo pessoas. Em maio de 2013, um mês depois de se recuperar de um transplante de fígado e uma longa luta contra um câncer e voltar a jogar, o lateral francês Eric Abidal, uma figura popular no vestiário do Barcelona e junto à torcida, foi dispensado. Na partida de despedida de Abidal, Rosell foi vaiado. Justiça seja feita: Rosell não se queimou sozinho. Em junho do ano passado, o “dono”  do Barcelona, o argentino Lionel Messi, caiu na malha fina da receita espanhola por sonegação.

O festival de polêmicas promete tornar ainda mais tempestuoso a votação do fim de semana, em que os 160 mil sócios do Barcelona se pronunciarão sobre um plano ambicioso de ampliação e modernização do Camp Nou, avaliado em pelo menos 600 milhões de euros. Um projeto que é herança da gestão de Rosell e que pode se transformar no símbolo de um movimento anti-comercial num clube que perdeu um pouco de seu charme.

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