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Aldair libera número aposentado na Roma e reclama de adeus da seleção

José Ricardo Leite e Vanderlei Lima

Do UOL, em São Paulo

01/04/2014 06h00

Não tão comum no Brasil, a aposentadoria do número da camisa de alguns jogadores nos times europeus é algo simbólico para demonstrar respeito eterno à sua passagem. O fato também ocorre muito nos Estados Unidos. Os agraciados com a atitude ficam com o status de respeito eterno do clube e dos fãs.

Mas um fato incomum associado a isso ocorreu na atual temporada na Itália. Tetracampeão mundial com a seleção brasileira em 1994, Aldair recebeu um pedido de permissão dos dirigentes para que a Roma pudesse voltar a utilizar a sua camisa aposentada de número 6 depois da contratação do holandês Strootman.

O ex-zagueiro jogou por 13 anos no clube da capital italiana e teve a honraria em 2003 pelos serviços prestados por mais de uma década, com destaque para o título do Campeonato Italiano da temporada 2000/2001, o mais importante do clube nos últimos 30 anos.

Mas, após 11 anos, abriu mão da vaidade e liberou o uso de sua camisa após consulta do clube. O motivo que alega é que não achava justo ter sua camisa aposentada, enquanto outros jogadores que fizeram história na equipe não tiveram o mesmo tratamento.

“O pessoal da Roma me ligou perguntando o que eu achava da ideia de a camisa voltar a ser usada. Eu disse que nunca achei justo aposentarem a minha camisa, porque outros grandes jogadores passaram por lá e eles não fizeram a mesma coisa, como foi com Falcão, Bruno Conti, entre outros. Achei melhor falar pra eles que voltassem a usar a camisa”, falou Aldair, em entrevista ao UOL Esporte.

“O holandês (Strootman) é bom jogador, mas está apenas na primeira temporada. Ainda não tive oportunidade de conversar com ele ainda”, falou Aldair.

Para o zagueiro, ter uma camisa imortalizada não é o termômetro para saber o nível de respeito que tem dentro do clube pelos serviços prestados, mas sim o tratamento que recebe quando visita Roma. “Não tenho o que falar da torcida e dos dirigentes. Sou sempre muito bem tratado”, resumiu.

  • Reprodução/Site oficial

    Roma liberou camisa de Aldair para holandês apenas depois que brasileiro deu permissão

“Sumiço” e frustração em despedida da seleção

Aldair fez história também na seleção brasileira e é considerado um dos maiores zagueiros que já vestiram a camisa amarela. Além do título mundial em 94, foi bicampeão da Copa América, campeão da Copa das Confederações e esteve entre os três atletas acima de 23 anos escolhidos para a disputa dos Jogos Olímpicos de 1996, quando a equipe ficou com a medalha de bronze (os outros foram Rivaldo e Bebeto).

Formou dupla de zaga com Marcio Santos no Mundial de 1994 e com Junior Baiano na Copa de 98.

Mas o ex-zagueiro, apesar dos títulos, teve um fim decadente na equipe. Foi criticado pelas atuações no vice-campeonato no Mundial de 1998 e fez seu último jogo em 2000 com uma falha contra o Uruguai, em um empate por 1 a 1 no Maracanã em uma partida das eliminatórias. Foi vaiado pela torcida. Demonstra mágoa pela despedida amarga.

“Eu já não queria mais jogar pela seleção há uns dois anos, mas a CBF insistia para eu atuar. Havia muitas viagens longas e o desgaste era grande. Minha chateação é essa. Você erra e depois não tem mais chance nenhuma. Queria uma despedida mais digna. Fiquei os dois anos seguintes muito chateado e com isso na cabeça. Mas, depois, a chateação passou”, falou.

Ao contrário de muitos jogadores brasileiros campeões mundiais, Aldair quase não aparece.  Não é figura presente em programas de TV e tampouco quis se aventurar no futebol profissional. Optou por ficar em Vitória (ES) e trabalha como intermediário de um time amador que tenta revelar jogadores jovens. No que depender dele, ficará distante dos holofotes.

 “Estou bem tranquilo e sou um cara que não gosta de aparecer. É meu jeito de ser, sou um cara bem tranquilo.” 

O zagueiro foi revelado pelo Flamengo em meados da década de 80. Foi para o Benfica em 1989 e nunca mais voltou a jogar no futebol brasileiro. 

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