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Saída de Henrique do Palmeiras não foi nada amigável. Saiba os bastidores

Mauricio Duarte, Ricardo Perrone e Vanderlei Lima

Do UOL, em São Paulo

18/02/2014 06h00

De acordo com integrantes do departamento de futebol e pessoas próximas a Henrique ouvidas pelo UOL Esporte, a saída do zagueiro do Palmeiras aconteceu por causa da pressão direta do presidente Paulo Nobre. Incomodado com o fato de o jogador cobrar uma dívida do clube extrajudicialmente, o cartola pediu a Gilson Kleina que tirasse Henrique do time. Depois, tentou fazer com que o treinador retirasse a faixa de capitão. Kleina, no entanto, não atendeu a nenhum dos pedidos.

Quando Henrique confirmou sua saída, o discurso parecia contraditório, pois ele havia dito que não deixaria o Palmeiras no ano do centenário do clube. No entanto, a negociação com o Napoli atropelou a vontade do jogador. As duas diretorias fecharam o negócio rapidamente.

A origem da pressão de Nobre para que o zagueiro deixasse o clube foi o mal-estar causado pelo fato de Henrique ter enviado uma notificação extrajudicial cobrando divida de cerca de R$ 1 milhão. O Palmeiras usou o dinheiro da premiação da Série B para quitar a pendência, mas reprovou a atitude do jogador.

O clube está pagando o que deve a Henrique em duas parcelas. A primeira ele já recebeu. A segunda será paga em abril. Na visão dos cartolas, o problema deveria ter sido resolvido internamente, mas eles postergaram as conversas. O jogador, cansado de esperar uma definição, procurou a Justiça.

A reportagem apurou que, no entendimento dos dirigentes, Henrique descumpriu um acordo para não acionar a Justiça enquanto negociava o recebimento. Só que a notificação não é a abertura de um processo. É um documento registrado em cartório e enviado para notificar oficialmente alguém sobre determinado assunto. No caso, uma dívida. Normalmente, a notificação é um passo anterior à ação na Justiça.

Pessoas ouvidas pelo UOL Esporte disseram que o estafe de Henrique procurou mais de uma vez a diretoria e não obteve retorno. O próprio atleta foi conversar pessoalmente com os dirigentes três vezes durante as suas férias, mas a questão da dívida não foi solucionada. Por isso, fez a notificação.

Quando o documento chegou ao Palmeiras, o departamento jurídico percebeu que, graças ao atraso, poderia perder o jogador a qualquer momento. Quando um atleta entra na Justiça cobrando vencimentos atrasados, se o juiz der ganho de causa ao jogador, ele pode até sair do clube de graça. Paulo Nobre, irritado com a atitude do atleta e com uma proposta do Napoli em mãos, fez, então, pressão tanto em Henrique quanto no treinador Gilson Kleina para que ele saísse.

De acordo com as pessoas do departamento de futebol ouvidas pela reportagem, Nobre pressionou Kleina a tirar Henrique do time. O treinador peitou a diretoria e manteve o zagueiro. O técnico, então, foi cobrado para tirar a faixa de capitão do beque. Novamente o treinador resistiu. Em meio aos atritos, apareceu a proposta do clube italiano. Henrique dizia que preferia ficar, mas acabou negociado.

Henrique também queria permanecer no Brasil por causa da Copa do Mundo. Na visão do defensor, seria mais fácil ser convocado por Luiz Felipe Scolari atuando no time alviverde, onde era titular absoluto e capitão. Agora, no Napoli, terá que disputar posição e encarar o banco de reservas durante um tempo. 

O Napoli, da Itália, pagou algo perto de 5 milhões de euros (cerca de R$16,5 milhões) para a contratação em definitivo do palmeirense. Com a saída de Henrique, o goleiro Fernando Prass virou o capitão da equipe do Palestra Itália.

Procurada pela reportagem para comentar o caso, a assessoria de imprensa do Palmeiras disse, por telefone, que ninguém da diretoria iria falar com o UOL Esporte. Também não respondeu às perguntas enviadas por e-mail nos dias 12 e 17 de fevereiro. As duas tentativas foram ignoradas pela assessoria.

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