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Rivais já olham de outra maneira para estratégia do Palmeiras

Mauricio Duarte *

Do UOL, em São Paulo

22/01/2014 06h00

Quando o Palmeiras anunciou seu planejamento para a atual janela de transferências muita gente torceu o nariz. Os dirigentes alviverdes adotaram o polêmico contrato de produtividade para reforçar o time, praticando salários fixos menores, mas oferecendo prêmios para objetivos alcançados. Com a temporada em andamento, o sucesso do Palmeiras já faz os rivais olharem de uma maneira diferente para o projeto palmeirense. Antes ignorado, o contrato de produtividade já ganha elogios.

“Primeiro, a gente precisa entender as realidades de cada país. Precisa ser bem organizado. Depende da filosofia do clube, do momento do clube. Eu gosto bastante da experiência que vivi na Europa. Mas é um modelo é bem realista, que dá bonificações de acordo com classificações e títulos. É melhor do que vincular a produtividade somente ao número de jogos. Porque assim o clube ganha. Isso poderia ser adotado”. Surpreendentemente, a frase vem de Edu Gaspar, gerente de futebol do maior rival do Palmeiras, o Corinthians.

E é fruto dos resultados verdes que já podem ser notados. O maior exemplo é o zagueiro Lúcio. Tudo bem: ele chegou ao clube em baixa, após ser afastado do elenco do São Paulo. Ainda assim, ele brilhou no futebol europeu, foi capitão da seleção brasileira e campeão mundial. E aceitou vincular seus vencimentos ao desempenho. O mesmo aconteceu com outros jogadores que chegaram. O lateral William Matheus e o meia Marquinhos Gabriel se destacaram no ano passado e chegaram ao alviverde na nova estrutura.

São três exemplos de como a diretoria conseguiu se reforçar sem abrir mão do novo modelo de negócios. Chegaram atletas para todas as posições carentes - a exceção foi a lateral direita. E o clube foi um dos que mais se reforçou entre os grandes: até o momento, sete atletas foram contratados.

É um indício que pode funcionar. Mas não pense que todos os clubes já estão fazendo contas para adotar o modelo. O contrato de produtividade também tem seus problemas. E dirigentes rivais, mesmo os que elogiam, conhecem essas dificuldades. Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, vice-presidente do São Paulo, é um dos simpatizantes da ideia que aponta obstáculos: a concorrência com os clubes que não adotam o modelo de produtividade pode se tornar desleal. “É um fator desfavorável para quem não pratica. Mas outros fatores tem que ser observados, como segurança, idoneidade do clube, estrutura. Acho o modelo correto, isso representaria uma nova cultura positiva”, comentou.

Ronaldo Ximenes, diretor de futebol do Corinthians, vai pelo mesmo caminho. “Acho que a nossa cultura ainda não permite. É difícil de implantar, apesar de eu achar um modelo interessante. Mas é difícil encontrar valores, um parâmetro", afirmou.

São opiniões que tornam a discussão desse modelo interessante. É preciso pensar, entre outras coisas, em uma mudança na mentalidade. Tanto dos clubes, quantos dos jogadores. E, principalmente, de empresários, que costumam defender os altos salários de seus clientes. O Palmeiras pretende seguir com o modelo, pelo menos enquanto durar o mandato da atual gestão. Nos próximos dias, inclusive, o clube deve apresentar o meia Bruno César, mais um reforço trazido com contrato de produtividade.

*Colaborou Gustavo Franceschini

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