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Carlos Alberto Silva gere agência de turismo e pede nova chance no futebol

Carlos Alberto Silva em agosto, em homenagem do Guarani - Luciano Claudino/Frame
Carlos Alberto Silva em agosto, em homenagem do Guarani Imagem: Luciano Claudino/Frame

José Ricardo Leite

Do UOL, em São Paulo

13/09/2013 06h00

O mineiro Carlos Alberto Silva teve títulos memoráveis no futebol brasileiro e internacional nos tempos de treinador. Levou o Guarani à sua única conquista de Campeonato Brasileiro, em 1978. Ganhou a medalha de prata com a seleção nos Jogos Olímpicos de 1988 e foi o último técnico do país a conquistar uma liga importante na Europa, ao ser bicampeão português com o Porto, em 1992 e 1993.

Mas decidiu abandonar a carreira em 2005, em sua última participação como treinador, no Atlético-MG. Hoje, aos 74 anos, apenas debate futebol com o filho enquanto administra um negócio adquirido durante a carreira à beira do gramado.

Carlos Alberto Silva é dono da Ibiza Turismo, agência mineira que faz pacotes turísticos tanto no Brasil como viagens internacionais. Acompanha o negócio que é administrado por seus filhos. É sua renda atualmente.

“Eu montei o negócio já preparando para a minha parada. A loja hoje tem 26 anos e um conceito firmado já no estado. Temos quatro lojas, sendo uma maior e base”, comentou o técnico.

Mas a vontade de voltar ao futebol ainda prevalece no técnico que também venceu os Jogos Pan-Americanos de 1987. Se não na função de técnico, na de poder ajudar categorias de base como uma espécie de conselheiro para a comissão técnica.

“Sinto, sinto muita falta (do futebol). Foram 36 anos. E depois, de uma hora pra outra, parar, a gente sente muito. Mas esse amor pelo futebol vai aumentando cada vez mais. O tempo passa, mas você acompanha a evolução dos campeonatos. Eu fico vendo jogos, discuto com meu filho. Às vezes pergunto pra ele as coisas”, conta.

“Eu gostaria de voltar, mais com algo de categoria de base, por exemplo. Ficar junto com treinador e orientar. Vejo no futebol que tem os novos que estão chegando e vejo com muita naturalidade”, continuou.

O bicampeonato português com o Porto foi o último bom trabalho de técnicos brasileiros em equipes de ponta da Europa. Silva diz que os brasileiros têm dificuldade no mercado europeu porque querem transportar métodos utilizados aqui que os jogadores locais não compreendem. E admite que não saber falar a língua local de determinado país pesa, como ocorreu com Luiz Felipe Scolari no Chelsea.

 “O técnico brasileiro tem que palpar muito pra ir pra Europa. Com a mentalidade daqui não entra não. O técnico europeu é muito objetivo na maneira de trabalhar.”

“Eu fui campeão nacional três vezes e com intérprete. É difícil, tem que haver entrosamento entre o interprete e o técnico. O brasileiro é muito capacitado, o entrar é que eu vejo problema. Há pouco diálogo.”


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