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Laor sofre ameaça de impeachment após promessas não cumpridas e churrasco com corintianos

Torcida do Santos pede saída de Luis Alvaro, nesta segunda-feira, na Vila Belmiro  - Samir Carvalho/UOL
Torcida do Santos pede saída de Luis Alvaro, nesta segunda-feira, na Vila Belmiro Imagem: Samir Carvalho/UOL

Samir Carvalho

Do UOL, em Santos (SP)

18/12/2012 06h00

Apesar dos seis títulos conquistados desde assumiu a presidência do Santos em dezembro de 2009, Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro sofre forte pressão no Conselho Deliberativo do clube. Promessas não cumpridas e até um churrasco com conselheiros do Corinthians deram início aos rumores de impeachment do dirigente na Vila Belmiro.

Conselheiros da situação e oposição do Santos estão indignados com o mandatário e possuem uma lista de insatisfações e promessas não cumpridas de Luis Álvaro.

Entre as principais estão a criação de um fundo de investimento na ordem de R$ 40 milhões para o futebol, a venda de Ganso pelo valor parcial da multa rescisória e o uso do dinheiro para não contratação de reforços, ressalvas no balanço fiscal e o excesso de funcionários do clube – cerca de 430 empregados, número elevado, segundo os insatisfeitos.

Os manifestantes também reclamam do salário dos funcionários, já que existem cargos cujos empregados recebem mais do que o volante Adriano, que ganha R$ 30 mil por mês.

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  • Samir Carvalho/UOL

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“Pretendemos (impeachment) pelo racha político que está instalado no clube, promessas não cumpridas, o fim do futebol feminino e futebol de salão. A vergonha que foi acabar a luz duas vezes e entrada de sinalizadores proibidos em um jogo de Libertadores na Vila Belmiro, com a autorização do clube. A promessa do presidente na reunião do Conselho que o Ganso só sairia pelo valor integral da multa. Os R$ 40 milhões que nunca chegaram, uma folha de pagamento de R$ 7 milhões, com o clube sem jogar a Libertadores. Motivos já existem”, afirmou o conselheiro Celso Leite.

Além das promessas não cumpridas, o fato de Luis Alvaro dizer que torceria pelo Corinthians na final da Copa Libertadores da América, diante do Boca Juniors-ARG, e comparecer em um churrasco na casa do conselheiro corintiano Fran Papaiordanu, no Guarujá, só aumentaram a insatisfação dos conselheiros.

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“Apoio o impeachment por causas das promessas, os R$ 40 milhões. O Corinthians, ele é pé quente. Desde que começou a torcer, o Corinthians foi campeão da Libertadores e do Mundial. Tem o número de funcionários aqui dentro”, afirmou o conselheiro Nelson Ricardo Ribeiro.

Apesar da intenção dos conselheiros, o impeachment não é tão simples. O Conselho do Santos hoje é composto por cerca de 280 membros, grande parte efetivo e alguns eleitos. Para que o pedido seja solidificado seria necessário a coleta de, pelo menos, 141 assinaturas. Assim, o projeto de impeachment poderá ser levado à votação em sessão extraordinária.

“No momento não temos os número de votos, mas o descontentamento cresce a cada dia e a previsão é que no primeiro semestre do ano (2013) vai caber o pedido”, disse Leite.

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Em contato com o UOL, a assessoria de imprensa de Luis Alvaro também explicou o motivo de o dirigente santista ter participado do churrasco na casa do conselheiro do Corinthians.

“Ele foi a um churrasco no Guarujá, na casa de um amigo do Fran, conselheiro do Corinthians. Não era um evento corintiano, mas um churrasco de amigos, já que ex-jogadores do Santos e jornalistas também estavam na festa”, esclareceu a assessoria, que alega não dar explicações sobre impeachment, já que o pedido ainda não feito pelos conselheiros do Santos.

A pressão contra Luis Álvaro ultrapassa o Conselho Deliberativo do Santos e chega até as arquibancadas. Na reunião dos conselheiros nesta segunda-feira, na Vila Belmiro, torcedores foram ao local para protestar. Além de soltarem fogos, eles estenderam diversas faixas pedindo para o dirigente deixar o clube.

Luis Alvaro pediu licença da presidência do Santos por dois meses, alegando problemas de saúde. No entanto, alguns conselheiros receberam informações de que o mandatário pode pedir demissão do cargo quando voltar do pedido de licença. O clube nega a informação e alega que o dirigente pretende voltar antes do término estipulado.

“Ele está de licença e está representando o clube. Ele não pode fazer isso, isso é uma falha. Ele prometeu muito e não está cumprindo, usou aqueles bordões, é uma questão de credibilidade”, reclamou o conselheiro José Rubens Marino.

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