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Petkovic passa tempo com agência e pizzaria, mas quer encerrar desemprego como cartola

Quase um ano após pendurar chuteiras, ex-jogador sérvio quer virar dirigente no Brasil - Vinicius Castro/UOL Esporte
Quase um ano após pendurar chuteiras, ex-jogador sérvio quer virar dirigente no Brasil Imagem: Vinicius Castro/UOL Esporte

Pedro Chiaverini

Do UOL, no Rio de Janeiro

04/04/2012 14h00

Petkovic cansou do “desemprego”. Quase um ano depois de se aposentar oficialmente dos gramados, o sérvio quer retornar ao futebol, desta vez, fora das quatro linhas. Enquanto toca os negócios pessoais, como academia, pizzaria e empresa de marketing esportivo - que organiza a vinda do melhor tenista do mundo Novak Djokovic ao Brasil, no fim do ano -, o ex-camisa 10 do Flamengo aguarda uma proposta para assumir o cargo de diretor executivo de algum clube, mas não descarta ser treinador.

Se não desfila mais seu futebol com a bola nos pés, com as palavras, ele continua com o mesmo talento. Sincero, o sérvio falou de tudo nesta entrevista exclusiva ao UOL Esporte: praticamente confirmou evento com o compatriota "Nole" no país, reiterou desejo de virar dirigente, não descartou tornar-se treinador, apoiou o retorno do “parceiro” Adriano ao Flamengo, entre outros assuntos. Confira a opinião de Petkovic sobre os temas:

Projeto Djokovic no Brasil
“Ele já aceitou, mas estamos fechando os detalhes. Espero que este mês esteja tudo fechado e possamos anunciar. Estamos com isso desde o ano passado, mas as datas não batiam. O evento deve acontecer no fim do ano. Estamos preparando uma festa digna de um número 1 do mundo. Vai ter um jogo de exibição e alguns eventos paralelos, como inauguração de quadra de tênis em uma favela pacificada. E talvez façamos um evento de futebol. Ele adora futebol”

Vida pós-futebol
“Estou descansando um pouquinho, fazendo cursos, tocando os projetos da minha empresa... Recentemente fiz um curso na Espanha de diretor executivo de futebol e outro de gestão financeira”

Técnico ou dirigente?
“Estou desempregado, né? (risos) Minha primeira ideia é ser diretor executivo. Mas não vou dizer não [em caso de convite para ser treinador]. Realmente estamos caminhando em termos de profissionalização no Brasil. No país, há poucos profissionais, digamos, aptos para esse tipo de cargo. Recebi uma proposta do Vitória da Bahia, mas não foi adiante"

Saudade do futebol e boatos de retorno
“Sinto falta, sim, claro, com certeza. Mas vinha me preparando para isso [aposentadoria]. Estava em Miami nessa época [sobre boatos de volta aos gramados], vieram em cima de mim e não entendi nada (risos). Alguém talvez falou em meu nome com o pessoal do Peñarol-AM, deu uma informação errada e o pessoal entendeu isso. Mas é totalmente descartado”

ZAGALLO TAMBÉM FALA SOBRE ADRIANO

  • Divulgação/Flamengo

    Zagallo viu de perto o surgimento de Adriano no Flamengo. Afinal, o Velho Lobo foi um dos primeiros treinadores do Imperador nos profissionais do Rubro-Negro, em 2000. Por isso, tem conhecimento suficiente para elogiá-lo ou criticá-lo. Mas ele prefere a primeira opção. Admirador do futebol do polêmico atacante, o ex-técnico não poupou comentários positivos ao artilheiro e, inclusive, o credenciou a vestir a camisa da seleção brasileira novamente. Claro, se aprimorar a parte física e, principalmente, pegar leve em sua agitada vida social.

Adriano

"É cria da casa, cresceu no Flamengo, é flamenguista, prata-da-casa. Acho importante que o Flamengo dê essa oportunidade para ele se recuperar no clube. É uma coisa digna. ‘Vamos ajudar o Adriano, que é nossa cria e iniciar a recuperação’. A partir do momento que ele se recuperar, aí você pode negociar uma possível volta dele. Aí ele pode ajudar o Flamengo e a seleção. Primeiramente, tem que ver como ele vai se recuperar. Uma vez recuperado, tem que conversar, ver com ele. É na base de reconhecimento e vontade dele de jogar bola. Se ele quiser mesmo, ninguém segura a criança. Tenho muito carinho por ele. Só faz coisas erradas para ele mesmo. Com os companheiros, é um verdadeiro parceiro. De vez em quando a gente se fala. Vi ele subindo para o profissional [em 2000], vi ele se tornando o Imperador e, depois, fomos campeões brasileiros juntos. É uma pessoa maravilhosa”

Cartilha do Flamengo
"Soube disso numa pelada, quando falaram que um dirigente criou uma cartilha de comportamento, mas nem sabia do que se tratava. Aí, peguei o jornal e um dos seus colegas, que agora não lembro o nome, disse que virou piada. Por que virou piada? Porque os próprios dirigentes admitem as coisas fora do contexto digno de um clube da grandeza como o Flamengo, como dar mais moral a um torcedor do que um ídolo como Zico [se referindo à saída do Galinho, que deixou o cargo de diretor executivo após acusações do presidente do Conselho Fiscal do clube, Capitão Léo], por exemplo. Por isso, essa cartilha foi ridicularizada. Parece um bê-a-bá, mas não é. Vira ridículo porque o clube não está acostumado com determinadas coisas. É normal uma empresa ter uma cartilha que zela pelo comportamento de seus funcionários. E isso serve para um clube também. Mas nunca é tarde para começar. Um dia tem que quebrar o tabu e mudar"

PETKOVIC E APOSENTADORIA

Sinto falta [do futebol], sim, claro, com certeza. Mas vinha me preparando para isso. Alguém talvez falou em meu nome com o pessoal do Peñarol-AM, deu uma informação errada e o pessoal entendeu isso. Mas é totalmente descartado

Privilégio dos jogadores
"Concordo que o privilégio está no salário. Mas não somos todos iguais. Às vezes, a própria imprensa confunde o que é privilégio. Não é privilégio treinar diferente. Um jogador de 20 anos não pode ter o mesmo treinamento de um de 30 e poucos. Um zagueiro não treina igual a um meio-campista, um atacante. Quando se divide o trabalho, dizem que há privilégio. Agora, quando um jogador não vem treinar, não cumpre um horário, aí, sim, é um privilégio. Nessas horas tem que saber administrar as coisas. Tem que haver critério"

Relação com o Flamengo

“Quando se fala em clube, generaliza as coisas. Tem algumas pessoas do clube que trataram o Zico mal e a mim também. Mas não posso dizer que o Flamengo tratou mal a mim e ao Zico. O Flamengo é muito maior do que algumas pessoas. As pessoas são passageiras. Quando passamos, deixamos marcas. Algumas boas e outras, terríveis. Graças a Deus, o Zico deixou muitas marcas positivas. E eu também deixei marcas boas"

Sonho em voltar ao Flamengo como dirigente
“Não sonho com isso. Quero trabalhar num clube brasileiro, como dirigente. Se for o Flamengo, claro que seria legal”

Dívida com o Flamengo
“Tem a dívida. Mas vão pagar, conforme determina a lei. Quebraram o acordo”

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