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Vestígios encontrados no sítio de Bruno, em Esmeraldas, estão sendo analisados

02/07/2010 - 09h47

Perícia trabalha em regime de urgência para antecipar laudos do caso Eliza

Bernardo Lacerda e Guyane Araújo
Em Belo Horizonte

Os peritos do Instituto de Criminalística estão trabalhando em regime de urgência para concluir o mais rápido possível os laudos dos exames em vestígios de sangue encontrados no sítio e no carro de Bruno. Esse material é considerado indispensável na investigação do desaparecimento de Eliza Silva Samudio, de 25 anos, cujo principal suspeito é o goleiro do Flamengo.

“Pedimos urgência nos laudos, mas não podemos atropelar as etapas desse exame sob pena de não ser um bom laudo”, afirmou o chefe do Departamento de Investigações da Polícia Civil de Minas, delegado Edson Moreira. Ele não esconde que deposita muita confiança nos resultados do exames que estão sendo realizados pela perícia e que devem ficar prontos no máximo em 15 dias.

Embora a Polícia Civil trate com extrema cautela o assunto, extra-oficialmente já foi informado que vestígios de sangue foram encontrados em dois locais. O primeiro é o sítio de Bruno, no Condomínio Turmalina, em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O segundo é na Land Rover, modelo Range Rover, de propriedade do jogador de futebol. O veículo foi apreendido em 8 de junho, quando era conduzido por Cleiton Silva Gonçalves, amigo do goleiro, por falta de pagamento de impostos.

“Vamos esperar os laudos das perícias chegarem e ver o que descobrimos no veículo e na casa. A nossa prova está no Instituto de Criminalística e assim que os laudos estiverem prontos vamos falar”, comentou Edson Moreira. “Com os laudos vamos fazer os cruzamentos necessários, robustecendo ainda mais as investigações”, acrescentou.

Os laudos aguardados pelos responsáveis pela investigação incluem o exame de DNA nas mostras de sangue para comparar com o material colhido do pai de Eliza, Luiz Carlos Samudio e também do filho da ex-namorada do goleiro do Flamengo, Bruninho, de quatro meses.

Enquanto espera o resultado oficial dos exames, a Polícia Civil mineira segue realizando buscas permanentes em vários lugares da Região Metropolitana de Belo Horizonte para tentar localizar Eliza Samudio, que é considerada desaparecida desde o dia 9 de junho, data em que teria feito o último contato com uma amigo, de acordo com testemunha.

A equipe de delegados responsável pelo caso segue também ouvindo pessoas que possam acrescentar informações, sejam como testemunhas ou possíveis envolvidos. O chefe da Divisão de Crimes Contra a Vida, delegado Wagner Pinto, revelou que existem depoimentos previstos para esta sexta-feira, tanto na Delegacia de Homicídios de Contagem, como no Departamento de Investigações. O goleiro Bruno, principal suspeito, no entanto, ainda não foi intimado a depor e, segundo Edson Moreira, não há pressa para que isso aconteça.

“Inúmeras pessoas foram ouvidas, mas não posso ficar falando quantas pessoas foram ouvidas ou o teor dos depoimentos”, disse o chefe do Departamento de Investigações. Segundo ele, denúncias e pistas chegam a todo momento. “Cabe a gente filtrar isso e saber o que condiz com a verdade”, complementou.

Uma dessas denúncias indicava que Eliza Samudio poderia ter sido vítima de um crime de encomenda, que teria custado R$ 70 mil. Edson Moreira diz não acreditar que isso tenha acontecido. “Indicadores mostram outro caminho”, sustentou.

O que aconteceu

A Polícia Civil mineira considera que Eliza está desaparecida desde o dia 9 de junho, quando uma testemunha revela ter conversado por telefone com a ex-namorada de Bruno. Os delegados responsáveis pelo caso admitem a possibilidade que ela estivesse machucada e tenha sido coagida a conversar com uma amiga para tranquilizá-la.

Eliza Samudio tentava comprovar, por intermédio de ação de reconhecimento de paternidade na Justiça do Rio de Janeiro, que Bruno é o pai do seu filho, de quatro meses. De acordo com testemunhas, a estudante teria sido convidada pelo jogador de futebol, a quem acusava de fazer ameaças de morte e de tentar provocar o seu aborto, para vir a Minas com ele. A Polícia tenta reconstituir os passos da moça entre os dias 4 e 9 de junho.

O filho de Eliza foi encontrado no sábado passado, em uma favela de Contagem, vizinha a Ribeirão das Neves. A criança esteve em poder de Dayane Fernandes, mulher de Bruno, que chegou a ser presa, mas responde em liberdade por subtração de incapaz. Na última quinta-feira, uma denúncia anônima indicou que a ex-namorada do jogador teria sido espancada até a morte no sítio dele, em Esmeraldas.

Uma operação de busca e apreensão, com autorização judicial, foi realizada na última segunda-feira, na casa de campo de Bruno, e em áreas próximas, no Condomínio Turmalina, em Esmeraldas. Nenhum corpo foi encontrado, mas os policiais recolheram objetos, como fraldas, roupas femininas e uma passagem aérea, que estão sendo periciados.

O Departamento Geral de Polícia Técnico Científico da Polícia Civil do Rio de Janeiro (DGPTC) divulgou, na quinta-feira, que foram encontradas substâncias consideradas abortivas na urina de Eliza Samudio. Esse material foi recolhido em outubro, como parte da investigação de denúncia feita por Eliza Samudio contra Bruno por agressão e tentativa para que ela abortasse.

O DGPTC informou que as substâncias encontradas também podem ser resultado de uma mistura de álcool com cigarro. Por isso, o material foi encaminhado ao laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para que a primeira análise seja confirmada. O resultado deverá sair na próxima segunda-feira.
 

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