PUBLICIDADE
Topo

UOL de Primeira

Os bastidores do futebol em primeira mão


UOL de Primeira

São Paulo expulsa ex-diretor e oposição fala em perseguição no conselho

Edson Lapolla, ex-diretor, foi expulso do São Paulo por causa de e-mail enviado em 2019 - Arquivo Pessoal
Edson Lapolla, ex-diretor, foi expulso do São Paulo por causa de e-mail enviado em 2019 Imagem: Arquivo Pessoal
Exclusivo para assinantes UOL

Pedro Lopes

Do UOL, em São Paulo

11/05/2021 04h00

Por causa de um e-mail de novembro do ano passado, o São Paulo expulsou do seu conselho deliberativo e quadro de sócios o ex-diretor de marketing e candidato à presidência em 2011 Edson Lapolla. Na mensagem enviada a alguns conselheiros em 2020, com título "nuvens grafite", Lapolla diz que a torcida são-paulina chegou a cantar "fulano ladrão, São Paulo campeão" em homenagem a dirigentes, e cita o "caso dos Jacks" - referência ao episódio de 2014 no qual o São Paulo fez um acordo de R$ 18 milhões de comissão com a Far East, empresa chinesa representada por um americano chamado Jack Banafsheha, para intermediação do contrato de fornecimento de material com a Under Armour. O acordo acabou cancelado.

A comissão de ética do clube desmembrou, por conta própria, o e-mail de Lapolla em duas infrações: ofensa ao ex-presidente José Eduardo Mesquita Pimenta e ofensa à chapa grafite das eleições do clube - a Juntos pelo São Paulo, do atual presidente Júlio Casares, que venceu as eleições. Casares e seu assessor Douglas Schwartzmann integravam o departamento de marketing do São Paulo na época da negociação envolvendo Under Armour e Far East. Para cada infração, foi dada uma suspensão; uma de 120 dias, outra de 140 dias, ambas referendadas pelo Conselho Deliberativo. Em documento assinado junto com o diretor financeiro Sérgio Fonseca Pimenta, Casares determinou a expulsão, citando que, pelo regimento interno do clube, duas suspensões superiores a 20 dias no intervalo de um ano levam à eliminação. À De Primeira, Lapolla afirmou que vai à Justiça. "Eu vou defender o São Paulo e falar dessas coisas até quando não der mais para falar. Até o São Paulo resolver esses problemas, esse problema da Far East, os problemas que começaram a ser varridos para baixo do tapete. Claro que vou à Justiça".

O presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Olten Ayres de Abreu, afirma que as decisões seguiram todos os procedimentos legais e foi referendada por 65% do órgão. " O presidente da comissão de ética é um juiz criminal, outros membros são ligados à área do direito. Tudo correu dentro do maior cuidado e zelo dentro do aspecto legal. As decisões no São Paulo são colegiadas, o Lapolla foi condenado dentro dessa estrutura, de duas condenações. E assim entendeu 65% do conselho, que ratificaram as punuções. Não estamos falando de um tribunal de exceção".

Oposição vê clima de perseguição no conselho do São Paulo

Em contato com a coluna, conselheiros e associados da oposição do São Paulo, em sua maioria, atribuem a expulsão de Lapolla a um crescente clima de silenciamento e uma "caça às bruxas" no conselho deliberativo do clube e suas comissões. Na última semana de abril, o presidente do órgão Olten Ayres de Abreu Jr. cortou a fala do conselheiro Marcelo Portugal Gouvêa durante reunião transmitida ao vivo - na passagem cortada, Portugal Gouvêa questionava o tom utilizado pelo presidente com outro conselheiro. A reunião chegou a ter 87 mil espectadores. Em fevereiro, comissões nomeadas pelo conselho recusaram a candidatura do sócio Caio Forjaz ao Conselho Fiscal - Forjaz não é ligado à situação e teve seu comprovante de residência rejeitado. O associado conseguiu, na Justiça, o direito de concorrer e foi eleito para uma cadeira no órgão.

Ayres de Abreu Jr. admite que tem conduzido o conselho com rigor, mas nega que haja qualquer excesso. "Quando você vem de uma cultura de que se tudo se pode fazer para uma onde só se pode fazer o que está escrito, alguns verão rigor excessivo", afirma. O presidente do órgão diz que caso haja processos contra conselheiros ligados à situação, o tratamento será o mesmo. "Não existe uma só representação por parte de conselheiros da oposição contra conselheiros da situação. Como você pode presumir que se puna alguém se sequer existe representação?". (Por Pedro Lopes).

UOL de Primeira