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Observado por Dino Sani, Zagallo cumprimenta o goleiro inglês McDonald

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25/06/2008 - 08h01

Inovação tática faz Zagallo ganhar briga com 'fora-de-séries' de 58

Renan Prates
Em São Paulo
Responda rápido: com nomes como Pelé, Vavá, Mazzola, Garrincha, Pepe, Canhoteiro lutando por vaga no ataque do mesmo time, alguém teria alguma chance? Para Zagallo, sim. E, cinqüenta anos depois, o agora tetracampeão mundial acredita que sua função tática tenha sido primordial para ganhar a briga com seus rivais Pepe e Canhoteiro por uma vaga na ponta-esquerda na Copa de 1958.

"Minha maneira de jogar chamou a atenção do Feola [Vicente, técnico da seleção em 58]. O Brasil mudou a maneira tática de jogar, passando do 4-2-4 pra 4-3-3. Essa maneira fez com que tornasse titular no lugar de Pepe", disse Zagallo.

Pepe e Canhoteiro viviam grande fase no Santos e no São Paulo, respectivamente, mas foram preteridos pelo Velho Lobo, que ganhou a vaga no selecionado.

Esta 'inovação tática', como mesmo define Zagallo, tornava a seleção mais marcadora, em uma época em que as equipes primavam pelo ataque. "Nós dificultávamos o adversário com a marcação. Quando eles tinham a bola, eu já estava no setor defensivo", disse Zagallo, que fez uma ressalva a seu favor. "Só pode jogar nessa função quem tem boa condição orgânica como eu tinha. Não é qualquer jogador que tem".

O OUTRO LADO
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Pepe fez carreira posterior como técnico, trabalhando em vários clubes paulistas
Integrante da principal disputa por vaga no ataque da seleção de 1958, o ex-ponta-esquerda Pepe, que fez história nos tempos áureos do Santos, refuta a tese de Zagallo de que perdeu a posição pela inteligência tática do rival. Na visão do santista, a lesão sofrida antes da Copa fez com que ele ficasse fora do time titular.

"A mudança que ocorreu na seleção não foi uma necessidade pela característica do Zagallo, pois o Feola gostava de dois pontas ofensivos. O Zagallo cumpriu bem a função que lhe foi dada", disse Pepe ao UOL Esporte em sua casa em Santos.
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PERFIL DE PEPE
PERFIL DE ZAGALLO
Para Zagallo, a mudança tática foi primordial para a boa campanha naquele Mundial. "Nós ganhamos com essa maneira de jogar".

O Velho Lobo contou que começou sua carreira como meia, mas viu na ponta-esquerda uma chance melhor de ser convocado para a seleção brasileira. "Quando tinha 17 anos, era um camisa 10 que vinha de trás. Foi aí que pensei: essa camisa aqui é dos excepcionais. Para chegar na seleção vou ter que mudar posição. Acabei passando para a ponta-esquerda. Hoje posso dizer que foi um sonho realizado."

Zagallo credita seu sucesso como jogador também a seu técnico do juvenil do Flamengo, Fleitas Solich, que mudou a sua maneira de jogar. "Meu estilo jogar era outro, eu era um cara driblador. Mas toda vez que eu pegava a bola e driblava, ele apitava falta contra o meu time. Uma vez cheguei a pensar que meu sonho de seleção já tinha ido embora, mas mudei meu estilo mesmo assim", afirmou. "Comecei a fazer a dupla função do Flamengo, e foi isso que chamou a atenção do Feola".

O ponta-esquerda da seleção de 58 relembra com carinho daquela Copa. Segundo ele, "só vem coisa boa na cabeça" quando surge o assunto. "Foi o primeiro título conquistado de um time que saiu desacreditado do Brasil e mostrou dentro de campo que poderia vencer. Até hoje foi o único pais não-europeu que ganhou campeonato na Europa".

Apesar de ter vencido a disputa por uma vaga na seleção de 1958 e 1962 com Pepe, Zagallo diz que não há nenhuma inimizade entre eles. "Nós somos amigos, sem problema nenhum. Apenas tive oportunidade de ser titular e soube agarrar. Como estava funcionando, não foi mexida a maneira de jogar", declarou. "O Pepe era um jogador fantástico. Mas a maneira que seleção desenvolveu melhor futebol foi comigo de titular. A qualidade dos jogadores apareceu mais".

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