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Copa 2018


Qual é o segredo para a cobrança perfeita em disputas por pênalti em Copas?

De pênalti, o costarriquenho Bryan Ruiz marca o segundo gol para sua equipe - Clive Brunskill/Getty Images
De pênalti, o costarriquenho Bryan Ruiz marca o segundo gol para sua equipe Imagem: Clive Brunskill/Getty Images

30/06/2018 09h31

As estatísticas apontam que o local por onde a bola mais vezes chegou ao gol foi pelo canto, mas esse não é o mais difícil para o goleiro pegar.

Como cobrar o pênalti perfeito em uma Copa do Mundo? E que equipe é melhor nisso?

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Com a Copa do Mundo na Rússia chegando às oitavas de final neste sábado, analisamos as disputas por pênaltis em Mundiais - 26 delas aconteceram desde que essa regra foi introduzida em 1978.

O pênalti perfeito

Opta
Imagem: Opta
De 240 cobranças nas disputas por pênaltis em Mundiais antes do torneio na Rússia, 170 foram convertidas em gols, ou seja, pouco mais de 7 em cada 10.

Dos pênaltis mais bem-sucedidos, o local mais popular para a bola balançar a rede é a parte inferior do gol e à esquerda do goleiro, de acordo com dados da empresa de dados esportivos Opta.

O pior lugar para chutar um pênalti é no meio do gol e com um chute baixo - o índice de sucesso é de só 58%.

Chutando alto

Opta
Imagem: Opta
Se um jogador decide chutar um pênalti bem no meio, um chute alto, ao menos, é a melhor opção. Nenhum goleiro conseguiu pegar as 15 cobranças nas disputas por pênalti em Copas do Mundo que foram miradas altas e no meio.

Mirar na parte de cima do gol, por sinal, é geralmente uma boa estratégia, como demonstrado por Harry Kane no jogo da Inglaterra contra o Panamá. Seus dois chutes foram no canto esquerdo superior da rede.

Dados da Opta mostram que mais de 90% dos pênaltis chutados para a parte superior do gol, para qualquer lado, foram convertidos em gol.

Mas essa estratégia também é arriscada, como o italiano Roberto Baggio descobriu na final de 1994, quando chutou alto demais - para fora - e deu o tetracampeonato ao Brasil.

Só um quinto dos pênaltis nas disputas por pênaltis foram defendidos, 49 de 240 tentativas. Foram 28 goleiros responsáveis por essas defesas.

Metade dos pênaltis defendidos foram de um lado e, metade, do outro (24 para a esquerda e 25 para a direita).

Doze cobranças pararam no travessão ou nas traves.

Recorde da Alemanha

BBC
Imagem: BBC
Apenas um jogador alemão, Uli Stielike, perdeu uma cobrança em uma disputa por pênaltis contra a França, na semi-final de 1982, na primeira vez que o país participou da decisão por penalidades. Desde então, a Alemanha acertou 15 gols e ganhou as quatro disputas por pênaltis em que esteve envolvida, um recorde.

Mas, com a saída prematura da Alemanha, a Argentina pode superá-la.

O Messi pode ter perdido um pênalti contra a Islândia na fase de grupos, mas seus conterrâneos têm um bom recorde nas disputas por pênaltis - 4 vitórias em 5 tentativas.

A única vez que perderam foi em 2006 - para a Alemanha.

Do outro lado, temos a Inglaterra, com o pior recorde. A seleção do país perdeu todas as três disputas por pênaltis em que se envolveram. Só 7 de suas 12 cobranças viraram gols.

Em 2006, a disputa por pênaltis entre Inglaterra e Portugal deu um dos piores resultados à seleção inglesa. Os dois lados marcaram só 4 gols de um total de 9 tentativas.

Opta
Imagem: Opta
Naquele jogo, o goleiro de Portugual, Ricardo, salvou três pênaltis - o maior número de pênaltis defendidos em uma disputa de penalidades. Sergio Goycochea, da Argentina, e Harald Schumacher, da Alemanha, têm o recorde total, tendo defendido 4 cada um.

A Suíça tem um recorde pior ainda. É a única equipe que participou de uma disputa por pênaltis em que errou todos os chutes.

Das seleções que chegaram às oitavas, os anfitriões russos, a Dinamarca, a Croácia e a Colômbia nunca se envolveram em uma disputa por pênaltis... Ainda.

Opta/BBC
Imagem: Opta/BBC

Pressão e sorte

Dizem que a disputa por pênaltis é uma loteria e que a sorte tem um papel importante nisso -mesmo antes do primeiro jogador encostar na bola.

No sistema atual, as equipes revezam os chutes. Decide-se qual equipe vai primeiro por meio de uma disputa de cara ou coroa.

Quem vence decique quem vai primeiro e tem uma vantagem importante - as equipes que começaram antes triunfaram 60% das vezes.

Pesquisadores da LSE (London School of Economics) dizem que a pressão psicológica de "ficar para trás" afeta a performance.

A Liga de Futebol Inglesa testou um novo formato, ABBA (primeiro a equipe A, depois a B, depois a B novamente, e logo a A).

A oitava cobrança dá azar?

BBC/Opta
Imagem: BBC/Opta
Os pênaltis cobrados em uma disputa por pênaltis têm menos probabilidade de serem convertidos em gol do que aqueles chutados em uma jogada normal, de acordo com as pesquisas de Ben Lyttleton, um escritor de futebol e autor de um livro sobre pênaltis. 

Ele descobriu que a taxa de conversão de pênaltis em gols em torneios internacionais e nacionais na Inglaterra, Alemanha, Itália, Espanha e Holanda, num período de 10 anos, foi de 78%, em comparação com os 74% em disputas por pênaltis nas mesmas competições.

Fora a pressão adicional de uma disputa por pênaltis, também tem o fato de que jogadores que normalmente não fazem cobranças de pênalti têm que fazê-lo em decisões por penalidades.

A pressão aumenta quanto mais a disputa se prolonga. Historicamente, a oitava cobrança de pênalti -das 10 cobranças previstas- é a que não se converte em gol em uma disputa por pênaltis. Duas de cada cinco tentativas acabam indo para fora ou sendo defendidas.

E se não houver ganhador depois de cada time ter cobrado cinco pênaltis, as equipes cobram mais uma cada, de maneira alternada, até que uma das equipes tenham marcado um gol a mais num mesmo número de tentativas. 

Mas isso só aconteceu duas vezes em um Mundial - na primeira disputa por pênaltis, em 1982, e na vitória da Suécia sobre a Romênia em 1994, nos Estados Unidos.

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