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Final da Copa do Mundo tem invasão e grupo feminista assume autoria

Invasora de campo cumprimenta Kylian Mbappé durante a final da Copa do Mundo de 2018, em Moscou, entre França e Croácia - Thanassis Stavrakis/AP Photo
Invasora de campo cumprimenta Kylian Mbappé durante a final da Copa do Mundo de 2018, em Moscou, entre França e Croácia Imagem: Thanassis Stavrakis/AP Photo

Luiza Oliviera

Do UOL, em Moscou

15/07/2018 13h12

Classificação e Jogos

O esquema de segurança montado pela Fifa e pelos organizadores da Copa do Mundo na Rússia falhou. Aos 6 minutos do segundo tempo da final entre Croácia e França, quatro militantes invadiram o gramado. Eles logo foram retirados pelas forças de segurança. O protesto, que tinha como alvo o governo de Vladimir Putin, foi reivindicado pelo grupo feminista Pussy Riot.

Três homens, todos vestidos de terno, e uma mulher, também de gravata, invadiram o gramado do Luzhniki enquanto a Croácia armava um contra-ataque. De acordo com o Pussy Riot, os protestantes representavam as forças policias russas.

Um dos invasores tentou abraçar o zagueiro Lovren, que chegou a ser puxado pelo braço, e demonstrou enorme descontentamento. Os seguranças logo entraram no gramado atrás dos invasores. Um deles se jogou no chão e se recusou a se levantar. Acabou deixando o campo arrastado. Cerca de um minuto depois, o jogo foi retomado, com a França vencendo por 2 a 1. Nos minutos seguintes, os franceses fizeram mais dois gols e caminharam para a vitória por 4 a 2 e o título.

O Pussy Riot, que assumiu a ação, é um grupo de punk-rock feminista russo que se tornou conhecido por realizar mobilizações, conhecidas como flash mobs, de provocação política, especialmente em Moscou. O grupo protesta contra regularmente contra a legislação russa tida como machista e contra o líder Vladimir Putin.

Depois da invasão, o grupo publicou em suas redes sociais um comunicado, em russo, no qual explica a invasão. Ali, listou exigir a liberação de todos os presos políticos, o fim das prisões "ilegais" em protestos e a possibilidade de uma real oposição política. Além disso, o Pussy Riot exige que a Rússia pare de "fabricar" casos criminais. 

Em nota, o comitê organizador disse que o incidente está atualmente sendo investigado pelas autoridades. "Outras declarações serão feitas no devido tempo, após consulta às autoridades", ressaltou o órgão.

Confira a nota do Pussy Riot:
Hoje (domingo) faz 11 anos que um poeta grande russo Dmitry Alexandrovich Prigov. O Prigov criou uma imagem do policial que representa estrutura do governo do céu na cultura russa.
O policial do céu, de acordo com o Prigov, fala com o Deus pelo Walkie Talkie. Outro policial que fica na terra está ocupado com os crimes. Enquanto o policial do céu está olhando com o carinho para os torcedores na Copa, o policial da terra está pronto para combater os protestos. O policial do céu toca uma flor da terra carinhosamente e está feliz com as vitórias da seleção russa, mas o policial da terra não liga que o Oleg Sentsov está com fome. O policial do céu é um exemplo de estrutura governamental, enquanto o policial da terra apenas causa dor a todo mundo.
O policial do céu guarda o sono do bebê, o policial da terra persegue os presos políticos, prende por causa dos likes e posts.
O policial do céu é o organizador do carnaval maravilhoso dessa Copa do Mundo, o policial da terra tem medo da festa. O policial do céu carinhosamente controla que as regras do jogos estejam compridas, o policial da terra entra no jogo sem seguir as regras.
A Copa do Mundo lembrou para nós sobre as oportunidades do policial do céu na Rússia maravilhosa do futuro, mas todos os dias, o policial da terra que entra no jogo sem regras está destruindo o nosso mundo.
Quando o policial da terra entra no jogo, nós pedimos:
1. Liberar todos os presos políticos.
2. Não prender por likes.
3. Parar os arrestos ilegais nos protestos.
4. Dar a liberdade para a competitividade no país.
5. Não falsificar os crimes penais e não manter as pessoas nos centros de detenção sem razão.
6. Tornar o policial da terra em policial do céu.

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