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Brasileiro é despejado de ambulância e encara operação surpresa na Rússia

Lucas General Ferreira, sem chapéu, com amigo em Kazan - Arquivo pessoal
Lucas General Ferreira, sem chapéu, com amigo em Kazan Imagem: Arquivo pessoal

Danilo Lavieri, Dassler Marques, João Henrique Marques, Pedro Ivo Almeida e Ricardo Perrone

Do UOL em São Petersburgo

09/07/2018 04h00

Você tem 20 anos e realiza o sonho de acompanhar a seleção numa Copa do Mundo fora do país. De repente, se vê com dores dentro de uma ambulância em Moscou, sem entender o que o médico fala em russo e é obrigado a sair ao retirarem toda a sua bagagem dela. Doente, passa horas na rua, ilhado com suas malas, esperando por outro socorro que não vem. Um dia depois, entra num hospital pensando que só vai fazer exames e, de novo, sem compreender quase nada, acaba internado para uma cirurgia às pressas. Esse drama foi vivido por Lucas General Ferreira, que vive em São Paulo.

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Um dia depois de assistir à estreia do Brasil na Copa da Rússia contra a Suíça e vomitar na saída do estádio, ele acordou com uma pequena bola no umbigo e sentindo dores. Deu uns dias para o problema passar, e nada. Então, resolveu acionar seu seguro de saúde. A partir daqui a história fica tensa.

Como Lucas ainda não tinha permissão para entrar no local que reservou para ficar em Moscou por causa do horário, ficou esperando o atendimento com toda sua bagagem. “Eles falaram que ia ser um médico para fazer uns exames, mas chega uma ambulância. Eu estava na rua com todas as malas e entrei na ambulância. E o médico não falava nada de nada de inglês. Aí foi tudo no tradutor. Mostrei a hérnia. Ele fez uns exames e disse ‘temos de ir para o hospital agora’. Nessa, eu estava tremendo de medo já porque não entendia o que estavam falando. Eles colocaram todas as malas dentro da ambulância e ligaram para o seguro para ver se eles autorizavam. Daí o seguro não autorizou”, contou Lucas.

A cena seguinte foi surreal. “Eles tiraram todas as malas da ambulância e falaram com ajuda do tradutor: ‘ o seguro vai mandar uma ambulância de novo daqui algumas horas’”.

Com dores, uma bola não identificada no umbigo e a bagagem da viagem inteira à sua volta, o jovem brasileiro esperou o dia inteiro pelo socorro. A dolorosa espera foi em vão. Já à noite, representantes da empresa responsável por seu seguro saúde informaram que ele não seria resgatado por ambulância nenhuma. Deveria se dirigir a um hospital no dia seguinte apenas para fazer exames.

A nova canseira em meio às dores durou das 11h até cerca das 19h. Todo esse tempo foi gasto para que a burocracia referente ao seguro de saúde para viagem fosse resolvida. Quando Lucas enfim foi atendido, descobriu, no susto, que na verdade não se tratava de uma simples consulta. “Fui encaminhado direto para um quarto de hospital e me colocaram a pulseira com meu nome e tudo. Eu estava muito desesperado porque não sabia direito o que estava acontecendo. E tenho medo de hospital. Então, estava meio surtado, mas meu amigo que estava comigo me deu uma tranquilizada”, lembrou o torcedor brasileiro.

Aterrorizado com a situação, Lucas só via as coisas piorarem sem entender direito o que acontecia por causa das língua. “Chegou uma médica para me examinar, e ela também não falava nada de inglês. Então tiveram que chamar dessa vez um intérprete. Aí ela fazia as perguntas para ele, e ele para mim. Daí ela fez o diagnóstico, chamou o outro médico, um cirurgião, que falava um inglesinho até. Antes de chegar o outro médico, uma mulher veio tirar sangue de mim e colocou um negócio no meu sangue que até hoje não sei o que é. Imagino que seja um relaxante porque eu estava desesperado”, afirmou Lucas.

O novo doutor deu a angustiante notícia: a cirurgia por conta da hérnia era inevitável. Apavorado, o brasileiro ainda tentou adiar o procedimento, mas ouviu que isso só seria possível se ele estivesse de volta para o Brasil. O adiamento por muitos dias geraria riscos.

Resignado, Lucas aceitou a operação que durou pouco mais de uma hora. A partir daí a situação se acalmou. A cirurgia foi simples e deu certo. O brasileiro passou duas noites num hospital de primeira classe, segundo ele, e mais três dias de repouso em seu local de hospedagem em Moscou. “A comida era normal, de hospital, tinha gosto de nada. Tinha purê de batata todo dia, um pãozinho também e variava entre peixe, uma sopa...”, recorda o torcedor.

Curtindo em solo russo a reta final do Mundial com o amigo que o acompanha, Lucas comemora o desfecho feliz do episódio assustador. “Qual foi o pior momento? Quando me internaram, porque eu não sabia o que estava acontecendo, né? Achei que ia ser só uma consulta. Quando vi estava internado”, relembrou.

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