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Capaz de irritar até Messi, Fernandinho mistura bom passe com provocação

Fernandinho e Messi travam duelo semanas depois de o camisa 10 do Barça perder a cabeça com o volante - EVARISTO SA/AFP
Fernandinho e Messi travam duelo semanas depois de o camisa 10 do Barça perder a cabeça com o volante Imagem: EVARISTO SA/AFP

Danilo Lavieri, Dassler Marques, João Henrique Marques, Pedro Ivo de Almeida e Ricardo Perrone

Do UOL, em Sochi (na Rússia)

04/07/2018 04h00

Classificação e Jogos

Homem de poucas palavras e um semblante calmo, o Fernandinho fora de campo em nada tem a ver com o volante camisa 17 da seleção brasileira. O passe que encanta Pep Guardiola e o estilo catimbeiro, que às vezes resvala na violência, são marcas do volante, homem de confiança de Tite mesmo no banco de reservas. Com Casemiro suspenso, ele tem caminho aberto para levar seu "arsenal" a campo contra a Bélgica, rival do Brasil na briga por uma vaga na semifinal, na sexta, às 15h. 

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Disposto a desestabilizar adversários com uma marcação dura e conversas em campo, Fernandinho já tirou do sério até Lionel Messi. Foi na vitória por 3 a 1 do Manchester City sobre o Barcelona, pela fase de grupos da Liga dos Campeões, em 2016, que o brasileiro minou o jogo do argentino com constantes “cutucões”. No intervalo, irritado, o camisa 10 do Barça o esperou na porta do vestiário e uma discussão começou.

Abertamente, Fernandinho tratou o tema como “nada demais”. No âmbito privado, no entanto, enviou mensagens ao grupo da seleção brasileira após a partida: “Brasil e Argentina já começou”. Na semana seguinte, o clássico seria disputado pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, no Mineirão, com Fernandinho como titular.

Fernandinho quis animar um confronto que já tem rivalidade de sobra. Nele, foi designado para ser o perseguidor de Messi, mas com 6 minutos de jogo levou cartão amarelo por dar uma cotovelada no argentino. De cara, Tite inverteu a marcação do argentino, colocando Paulinho como o responsável. 

A característica de um jogo “pegado” não é novidade. Em 2014, ele foi bastante criticado pela imprensa internacional pela marcação dura diante da Colômbia, nas quartas de final. Na preparação a caminho da Rússia, seu estilo também foi notado nos treinamentos da seleção brasileira. Em um deles, em Londres, deu um pisão no pé direito de Neymar e causou susto na comissão técnica.

“Ninguém quer ser cortado da seleção brasileira numa Copa do Mundo. Em contrapartida, todos se dedicam ao máximo, ninguém tira o pé de dividida, chega a ser bonito de ver. Ontem eu até comentei com o Danilo no treino que parecia briga de galo no meio”, disse no dia seguinte.

Principal virtude não é a "pegada"

Apesar do histórico, é a troca de passes, e não o poder de marcação ou a virilidade, a virtude de Fernandinho que mais encanta não só Tite, mas Pep  Guardiola, o treinador do Manchester City.

“O Fernandinho é articulador e tem bom passe. Versatilidade para jogar como o primeiro homem do meio-campo ou por dentro. Ele nos dá possibilidades”, comentou Tite ao justificar a escalação de Fernandinho no amistoso vencido por 1 a 0 contra a Alemanha, em março, em Berlim.

A troca de passes de Fernandinho realmente chama a atenção. Na vitória da seleção brasileira por 2 a 0 contra a Sérvia, ele esteve em campo por apenas 27 minutos e, ainda assim, passou 33 vezes a bola. O número foi maior que o do titular Paulinho, que atuou por 67 minutos e deu 27 passes.

Diante da Bélgica, Fernandinho vai atuar como primeiro volante e tem tudo para ser um dos maiores passadores do Brasil. A posição não é a de origem, mas sob o comando de Tite está longe de ser uma novidade

"Já joguei assim várias vezes com o Tite aqui, jogo assim no meu clube. Espero dar conta do recado e manter o mesmo nível que ele vem jogando”, disse um, aparentemente, calmo Fernandinho após o jogo contra o México.

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