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Messi não decide mais uma em mata-mata de Copa. Fim de história na seleção?

Messi: adeus às Copas do Mundo pode ter sido contra a França - Catherine Ivill/Getty Images
Messi: adeus às Copas do Mundo pode ter sido contra a França Imagem: Catherine Ivill/Getty Images

Marcel Rizzo

Do UOL, em Kazan (Rússia)

30/06/2018 12h58

Classificação e Jogos

Lionel Messi passou cinco minutos parado no meio do campo da Arena Kazan ao fim de Argentina x França. Jogadores das duas seleções foram até lá cumprimentá-lo. E ele seguia imóvel. Quando se moveu, foi para ir para o vestiário. Foi o primeiro dos argentinos a deixar o campo. 

O camisa 10 ainda vai se pronunciar, mas pode ter feito seu último jogo em Copas do Mundo nesta derrota por 4 a 3 para os campeões de 1998. A série de fracassos com a camisa argentina já o fez ensaiar, em 2016, uma aposentadoria da seleção, após mais um vice, o terceiro seguido, na Copa América do Centenário. Mas voltou atrás, para ter mais uma chance de título no Mundial da Rússia. Fracassou de novo.

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O time atual não ajudava, com jogadores limitados. O técnico Jorge Sampaoli também não, alterando esquemas e escalações. Em 15 jogos, jamais repetiu o time por duas partidas seguidas. Mas Messi também não pareceu bem. E deixou a Copa com uma marca para pouco se orgulhar: nunca fez gols em mata-matas.

Seus seis gols em Copas foram em primeira fase: uma em 2006, quando estreou, passou em branco em 2010, marcou quatro vezes em 2014, e uma em 2018, em 11 partidas. Nos oito confrontos eliminatórios, passou em branco em todos, já contando a derrota deste sábado para a França.

Jogando mais avançado, já que Sampaoli optou por um esquema sem centroavante, deixando Higuain no banco, Messi brilhou apenas no início do segundo tempo, quando deu um chute, despretensioso, a bola desviou em Mercado e entrou no gol. Era o 2 a 1, a virada argentina para cima da França, e parecia que o time mais desorganizado poderia vencer, afinal era mata-mata de Copa. Parecia, porque a França não se abateu, e conseguiu também a sua virada, com juros. O 4 a 3 selou uma Argentina confusa no Mundial.

Messi esteve abatido em boa parte do Mundial, como admitiram companheiros durante a campanha. A imprensa argentina chegou a especular uma possível crise pessoal, talvez com a esposa Antonella Roccuzzo, mas ela negou por meio de redes sociais com postagens românticas.

Depois de não aparecer nos dois primeiros jogos da Argentina na Copa, Antonella viajou com os filhos de Buenos Aires para São Petersburgo, onde a Argentina bateu a Nigéria por 2 a 1 para avançar de fase. E estava também em Kazan.

Aos 31 anos, recém-completados durante a Copa do Mundo da Rússia, Messi teria, teoricamente, idade, aos 35, para um quinto Mundial no Qatar, em 2022. Mas duas questões pesam: o físico e a motivação. Fisicamente, nos próximos anos ele deve perder sua principal característica, a arrancada. Mesmo no Barcelona, isso deve obrigar um recuo em campo. O lado positivo: ele também é um ótimo passador e pode brilhar alguns anos mais como assistente do que finalizador.

E a motivação? Messi deixou a Argentina adolescente para viver na Espanha e jogar no Barcelona. Teve a chance de se naturalizar espanhol, e poderia ter entrado em uma geração que foi campeã mundial em 2010 e ainda briga por 2018. Não quis. Preferiu a Argentina, que tinha atletas fortes, principalmente ofensivamente. Aguero, Tevez, Higuain, Di Maria, todos de sua geração. Bons jogadores, mas que não formaram times que agradavam de ver jogar - e que, defensivamente, sempre tiveram enormes problemas. Isso se repetiu em 2018.

Em 2014 foi competitivo, como a Argentina com Maradona foi em 1990, que também chegou à final da Copa, mas não brilhou. Foram três vices seguidos, em 2014 do Mundial, e em 2015 e 2016 da Copa América. Uma geração que, para a história, será lembrada pela genialidade de Messi com a camisa do Barcelona. Não da Argentina.

Messi fez 19 jogos em quatro Copas do Mundo, com seis gols. O cinco vezes melhor jogador do mundo pela Fifa chegou perto do título em 2014, no Brasil, quando perdeu a final para a Alemanha, 1 a 0, no Maracanã.

Pela seleção argentina, são 129 jogos e 65 gols. Uma média de 0,50, inferior a de sua carreira, que é de 0,81.

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