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Nigéria

Por trás de uma cortina de um bar, como é uma arquibancada nigeriana em SP

Daniel Lisboa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

17/06/2018 04h00

Classificação e Jogos

Existe um pedacinho da Nigéria no centro de São Paulo. Está aí algo absurdamente clichê para se dizer, mas, no caso do bar visitado pela reportagem do UOL Esporte, o emprego do diminutivo é inevitável.

Cerca de 30 imigrantes se reuniram em um boteco autêntico na rua Barão de Limeira para assistir à estreia do país - derrota para a Croácia por 2 a 0 neste sábado (16). O local, conhecido como “Bar do Pastor”, é um ponto de encontro da comunidade nigeriana em São Paulo.

Tem espaço apenas para seis mesas, balcão e uma pequena cozinha, mas isso não parecia ser problema: quem chegava na hora do jogo era convidado a entrar. Mesmo que claramente não houvesse lugar para mais ninguém.

Visto de fora, o bar é apenas uma porta de uns três metros de comprimento coberta por uma cortina de contas de plásticos amarronzadas. Não há sinal de que ali dentro africanos torcem efusivamente, diferentemente do bar ao lado, também africano, mas decorado de maneira mais palatável a quem não faz parte da comunidade.

O ambiente é ruidoso e animado durante a partida. Mesmo quando a Nigéria toma um gol, não se vê ninguém realmente fechar a cara. O burburinho das conversas de bar em dialeto igbo, que predomina entre os presentes, reverbera de modo curioso para quem não o entende: não soa como nenhuma língua minimamente conhecida por um brasileiro.

Todos cantam “à capela” o hino da Nigéria antes do jogo, e este é um dos momentos mais emocionantes. Ninguém, porém, veste os trajes tipicamente africanos que aparecem na TV quando a torcida nigeriana é focalizada. Faz frio em São Paulo, e os nigerianos preferem jaquetas e moletons.

A baixa temperatura na tarde paulistana também é, segundo “Pastor", o dono do local, a possível explicação para o aparente pouco interesse em tomar cerveja. Sim, os nigerianos bebem, mas, ao final do jogo, a mesa com mais garrafas (disparada) é justamente a que tinha três brasileiros.

A única exceção é um nigeriano que vira efusivamente uma garrafa de “Paratudo”, bebida feita de ervas que é talvez a opção alcoólica mais amarga à venda no Brasil.

No cardápio de refeições, porém, só pratos típicos nigerianos. Nada de porções e beliscos brasileiros.

O UOL Esporte entrevistou “Pastor” sobre seu bar e a importância do futebol para a união de um país com várias etnias e religiões diferentes. Ele vive no Brasil desde 2006. Conversou também com Anthony Emeka, há 20 anos por aqui.

A Nigéria perde e alguns deixam o bar antes do apito final. Ninguém sobe o tom ou xinga. A não ser um nigeriano que diz algo, provavelmente em igbo, e só uma palavra na frase é reconhecível: “bolão”.

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