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Mauricio Stycer


"Sinergia" na área de esportes da Globo é vista no SporTV como "anexação"

Cris Dias e Ivan Moré, da Globo, estão apresentando o "SporTV News" durante a Copa - Divulgação
Cris Dias e Ivan Moré, da Globo, estão apresentando o "SporTV News" durante a Copa Imagem: Divulgação
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

É jornalista desde 1986. Repórter e crítico do UOL, autor de um blog que trata da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

Colunista do UOL

15/06/2018 09h59

A Copa do Mundo na Rússia está servindo de vitrine para a exibição dos primeiros resultados de uma importante reforma corporativa no Grupo Globo. Ensaiada desde outubro de 2016 e implementada um ano depois, a ação juntou a área de esportes da TV Globo, o SporTV e o site globoesporte.com numa única estrutura, independente, desvinculada do jornalismo e do entretenimento.

Sob o comando de Roberto Marinho Neto, a mudança teve por objetivo estabelecer mais sinergia entre as diferentes áreas do grupo que produziam conteúdo esportivo. Dezenas de profissionais foram demitidos no segundo semestre de 2017 e toda a forma de produção foi alterada.

As mexidas nas chefias, as prioridades estabelecidas e os projetos colocados em prática privilegiaram profissionais da Globo do Rio. Segundo o UOL apurou, no SporTV o clima não é bom desde o final do ano passado – a impressão geral é que o canal pago do grupo perdeu autonomia e prestígio. A imagem mais repetida internamente é que não houve uma “união”, mas uma “anexação” da Globo. O temor de uma nova onda de demissões depois da Copa é grande no canal.

Ao se desligar do jornalismo, a área de esportes ganhou liberdade para desenvolver projetos em que os interesses comerciais superam os propósitos informativos ou de entretenimento. As séries “Matrioskas” e “Meu Lance na Copa”, exibidas nos últimos meses, são exemplos disso – projetos que parecem criados para atender a demandas da área comercial. 

Outra novidade, vista no início do Brasileiro, foi a menção a marcas de patrocinadores feitas por narradores – algo proibido enquanto a área de esportes era vinculada ao jornalismo.

Neste início de Copa, a tal sinergia pode ser vista, parcialmente, pelo espectador. Repórteres da Globo e do SporTV têm aparecido nos dois canais, em reportagens enviadas da Rússia. Mais exposição, mais trabalho.

Ivan Moré, apresentador do “Globo Esporte”, e Cris Dias, ambos sem função na Globo durante a Copa, foram escalados para apresentar um programa noturno no “SporTV”, o “SporTVNews Copa”, diariamente. Mesma situação de Felipe Andreoli, do “Esporte Espetacular”, que ganhou um programa de humor no canal pago, o “Zona Mista”, em parceria com Mauricio Meirelles.

Em troca, a apresentadora Barbara Coelho foi “emprestada” à Globo para dividir com Tiago Leifert a apresentação do “Central da Copa”.

É natural que a Globo seja a prioridade da empresa. O SporTV, porém, se acostumou a um alto grau de autonomia. Lançado em 1991, o canal construiu uma história própria e desenvolveu uma imagem totalmente desvinculada da “nave mãe”. Ao que tudo indica, isso agora é passado.

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