Rodrigo Mattos

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Investida alta do Cruzeiro por Dudu ocorre apesar de dívida alta para renda

Ao ser vendido para o empresário Pedro Lourenço, o Cruzeiro SAF passou a atuar forte na janela de transferência no meio do ano, como se viu na proposta por Dudu, do Palmeiras, que no fim decidiu ficar em São Paulo. Mas a situação financeira dos mineiros segue delicada por conta do endividamento, um dos maiores do futebol brasileiro.

A investida do Cruzeiro no mercado para reforçar o elenco era esperada na mudança de dono, de Ronaldo para Pedro Lourenço, que prometeu reforçar o caixa. O empresário, dono do supermercado BH, deixou claro que injetaria dinheiro em reforços.

Esses recursos têm origem externa porque o Cruzeiro ainda tem dificuldade para gerar caixa para investimento.

Ao final de 2023, o clube mineiro acumulava uma dívida líquida de R$ 811 milhões. O relatório da consultoria Convocados apontava uma alavancagem (relação entre dívida e receita) de 3,5 vezes, a segunda maior da Série A, só atrás do Botafogo. O débito não tem crescido, mas também não diminui - os juros compensam o que é pago.

Isso porque a receita cruzeirense ficou em R$ 245 milhões, apenas a 15ª maior da elite do futebol brasileiro. Esse valor exclui a venda de parte dos direitos de TV para a Liga Forte União.

Nos últimos cinco anos, o clube não foi capaz de gerar caixa positivo para investimento. Ainda assim, o Cruzeiro investiu R$ 76 milhões em contratações em 2023, o 10º maior valor da Série A.

No anúncio da venda do clube, o CEO, Gabriel Lima, falou que o Cruzeiro era um paciente que saiu da UTI, mas longe de estar plenamente recuperado.

"Paciente que está no quarto significa que ainda requer cuidados. É bastante importante que tenhamos consciência que o passivo do Cruzeiro está reestruturado, vai por um caminho muito bom, as obrigações vêm sendo cumpridas. Mas temos um longo caminho pela frente. Não é porque o Pedrinho passa a ser o proprietário que tudo vai se resolver em um passe de mágica", disse Lima. Há R$ 706 milhões a serem pagos entre impostos e acordos na Recuperação Judicial da associação.

Os gastos do Cruzeiro com pessoal no futebol em 2023 foram de R$ 94 milhões. A título de comparação, se a operação de Dudu fosse fechada, seriam gastos R$ 2 milhões por mês, isto é, pelo menos R$ 24 milhões por ano. Assim, o custo com pessoal já aumentaria em 25% só com esse novo jogador, considerado o parâmetro do ano passado.

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Para fechar a conta, o Cruzeiro tem aportes externos do seu dono e o dinheiro da venda de direitos de TV do Brasileiro a investidores da Liga Forte União. O clube receberá R$ 48 milhões em dezembro de 2024, e outra parcela do mesmo valor em maio de 2025. Em compensação, só ganhará 80% das receitas de TV a partir do próximo ano.

Já Pedro Lourenço é o sócio majoritário do Supermercado BH. O faturamento total é R$ 17 bilhões por ano. Mas a margem de lucro neste setor é em torno de 3%. Ou seja, ele é um empresário rico, mas não com recursos ilimitados.

Na troca de comando do Cruzeiro, Gabriel Lima disse que seria mantido o controle orçamentário.

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