Rodrigo Mattos

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ReportagemEsporte

Disputa entre Fifa e ligas por Super Mundial é por posto de NBA do futebol

A Fifa marcou o Super Mundial de clubes para o período de junho e julho de 2025. A competição reunirá 32 times do mundo, sendo 12 europeus e seis sul-americanos. Há uma resistência das ligas do velho continente e da Fifpro, sindicato dos jogadores.

Da parte dos atletas, é uma crítica ao excesso de jogos, como já ocorreu em outras ocasiões em que campeonatos novos foram criados.

Mas, da parte das ligas, há uma disputa pelo mercado do futebol que se desenvolve desde o projeto da Superliga feita pela elite dos clubes europeus. No final das contas, há uma disputa para se tornar uma espécie de NBA (liga de basquete dos Estados Unidos), uma liga global.

A Premier League já tem como maior fonte de receita a venda de direitos de transmissão do exterior em relação ao mercado doméstico. La Liga também tem renda vistosa fora da Espanha e segue o mesmo caminho.

Mas não é o suficiente. As ligas reivindicam junto à Fifa que possam disputar jogos dos campeonatos nacionais fora de seus países. Lembremos que a La Liga e a federação espanhola já transferiram jogos da Supercopa para a Arábia Saudita.

A Premier League já teve um torneio de verão nos EUA no meio do ano passado, isto é, no período de pré-temporada. O mercado americano é o maior alvo pois é o maior do mundo e com uma liga, MLS, fraca.

O Super Mundial vai se realizar justamente em terras americanas. E, se a competição der certo, vai ter esse caráter global de reunir equipes de todo mundo em um grande palco. As receitas futuras podem explodir. No momento, ainda é um torneio sem contratos fechados de TV e comerciais, o que está em negociação com a Fifa.

As vendas de direitos de transmissão de futebol vive atualmente uma estagnação depois de seguidos booms. Isso tem relação com a crise dos streamings e da TV a cabo.

Para aumentar a receita dos campeonatos, portanto, é preciso expandir, inclusive com a possiblidade de receita de bilheteria em outros países. O movimento já é feito com a ligas americanas, como se vê no jogo da NFL marcado para a Neo Química Arena.

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No final das contas, a briga por calendário, por datas para jogos, é uma disputa por receita, recursos. Tempo é dinheiro.

O Brasil é bem coadjuvante neste cenário, já que nem liga existe no país. Mas a revolução certamente afetará os clubes do país. Porque, se algum campeonato prevalecer e se tornar uma NBA, todos os outros passarão a ser meros formadores de atletas para este em um nível ainda maior do que ocorre hoje com nossas exportações de jovens.

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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