Rodrigo Mattos

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Brasileirão é para clubes ricos: top 5 exige receita acima de R$ 600 mi

O Brasileirão tornou-se um campeonato em que é necessário ter receitas e gastos cada vez mais altos para ficar no topo da tabela. O patamar exigido para a elite do top 5 é em torno de R$ 600 milhões. A concentração de renda em clubes mais ricos é quase igual à de ligas como a Itália e a Inglaterra.

Os dados constam do relatório da Consultoria Convocados - feito em parceria com a Galapagos Capital e a Outfield - sobre os balanços financeiros dos times em 2023.

Em parte do documento, há uma comparação entre as receitas e os custos com o desempenho no Brasileiro e na Copa do Brasil. Pelo levantamento, é possível determinar quanto em média seria necessário em arrecadação ou gastos para atingir cada posição.

Em relação à Série A, as receitas dos top 5 giram em média entre R$ 620 milhões e R$ 731 milhões nos últimos cinco anos. Em comparação, no período de dez anos, esse valor médio seria de R$ 485 milhões e R$ 575 milhões. Ou seja, houve um aumento significativo da necessidade de dinheiro para se manter nesta elite.

Esse cálculo foi feito com uma média das receitas dos anos, com um desvio padrão. Não exclui obviamente a possibilidade de clubes de menor receita do que esse padrão - foi o caso do Grêmio em 2023 - estarem neste grupo na frente. Mas essa probabilidade tem se reduzido com o tempo.

A tabela por receita necessária seria esta:

1o a 5o - R$ 620 milhões a R$ 731 milhões

6o a 10o - R$ 357 milhões a R$ 414 milhões

11o a 15o - R$ 276 milhões a R$ 342 milhões

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16o a 20o - R$ 156 milhões a R$ 194 milhões

A concentração das principais posições nas mãos dos clubes mais ricos também ocorre na Copa do Brasil, como mostra o relatório Convocados. Nos últimos seis anos, os semifinalistas e finalistas da competição têm receitas girando entre R$ 700 milhões e 850 milhões. Neste período, apenas América-MG e Fortaleza, entre os clubes com menor receita, conseguiram chegaram entre os quatro primeiros.

Na tabela de performance x receitas, fica claro que clubes como Grêmio, Botafogo e Atlético-MG atingiram posições acima da sua receita. Mas é importante fazer também uma comparação em relação a custos e despesas porque há clubes que gastam além de suas receitas, que são os casos dos dois Alvinegros, do Rio e Minas.

Em compensação, há clubes como São Paulo e Corinthians que obtém posições abaixo do patamar que deveriam no Brasileiro.

Ao se usar como parâmetro os custos e despesas, o relatório Convocados mostra que é preciso um gasto com pessoal acima de R$ 386 milhões para ficar na elite de top 5 do Brasileiro. Na outra ponta da tabela, é preciso pelo menos investir mais do que R$ 80 milhões por ano para fugir do rebaixamento.

"Por isso fiz as contas considerando os períodos de 10 e 5 anos, que mostram claramente que os melhores posicionados apresentaram receitas e custos maiores. Vejo também outros dois pontos: há uma certa aproximação do grupo do meio da tabela e quase uma certeza sobre quem cai.

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Dessa forma, essas bolhas somente são furadas quando um clube faz um trabalho esportivo muito eficiente, e os mais "ricos" fazem trabalhos aquém da possibilidade, no caso do topo da tabela. E quando há um caso de falha de gestão quando um clube de maior receita cai, ou mesmo fica abaixo da posição esperada.", contou César Grafietti, autor do estudo da Convocados.

"E, sim, vale para a Copa do Brasil. A ideia de que é uma competição mais democrática não parece que seja real. O que ocorre em menor escala na Libertadores, seja pelos estrangeiros, seja pela aleatoriedade natural do futebol, como foram o Athletico-PR de 2022 e o Fluminense e Boca de 2023."

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Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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