Topo

Rodrigo Mattos

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Galo volta a gastar além da conta e acumula R$ 843 milhões em empréstimos

Valorização da Arena MRV permitiu ao Galo ter superávit mesmo com excesso de gastos - Rivelle Nunes/Arena MRV
Valorização da Arena MRV permitiu ao Galo ter superávit mesmo com excesso de gastos Imagem: Rivelle Nunes/Arena MRV

Colunista do UOL

02/05/2023 13h17

Receba os novos posts desta coluna no seu e-mail

Email inválido

O Atlético-MG continuou a gastar mais do que arrecada e a financiar seu futebol com empréstimos em 2022. A dívida bancária e com os mecenas Menin subiu para R$ 843,5 milhões, o que representa um crescimento de R$ 263,6 milhões no ano (45%). Por isso, o débito líquido passou a R$ 1,571 bilhão.

Essa dívida é majoritariamente com bancos e de curto prazo. São R$ 575 milhões para serem quitados no prazo de um ano contra R$ 190,5 milhões ao final de 2021. Há dois problemas: 1) isso estrangula o caixa do clube para fazer seus pagamentos operacionais; 2) a dívida cresce constantemente por conta de juros acima da taxa Selic.

E por que o crescimento de dívida bancária é tão forte nos últimos anos? A diretoria do clube decidiu gastar com o futebol um dinheiro superior ao que é arrecadado pelo clube considerando que há outras despesas, inclusive financeiras. A conta não fecha e o Galo recorre a bancos.

"Podemos observar um aumento de R$ 259 milhões no endividamento líquido entre 2022 e 2021, sendo ocasionado substancialmente pelo investimento de R$ 112 milhões em atletas profissionais adquiridos, renovações contratuais e categorias de base com o intuito de manter o nível de competitividade da equipe (já líquido das receitas com transferências de atletas)", diz o próprio documento financeiro do Galo.

Do ponto de vista contábil, o Atlético-MG registrou um superávit de R$ 70,6 milhões. Trata-se de um número regular, legal, porém inflado por uma avaliação patrimonial do estádio da Arena MRV. O efeito das receitas de valorização de patrimônio nas contas atleticanas é de R$ 342,9 milhões, que foram contabilizadas como receitas.

Desconsiderada essa renda, o Atlético-MG estaria no vermelho em R$ 272,3 milhões. Ou seja, o buraco tem um número bem similar ao do tamanho do crescimento da dívida do clube.

Explica-se: o Galo manteve os custos de futebol no patamar de 2021 quando foi campeão brasileiro e da Copa do Brasil. As despesas com pessoal e direitos de imagem ficaram em R$ 250,1 milhões contra R$ 262,8 milhões no ano anterior. Naquele ano, mesmo com premiações de Brasileiro e Copa do Brasil, a conta já não fechava. O quadro, portanto, agravou-se sem premiações.

E o cenário não mudou na temporada de 2023 pela apuração do blog. A dívida continua a crescer para financiar o futebol. O caminho indicado no próprio balanço é a venda já feita da última fatia do Diamond Mall e a transformação em SAF com investidor, possivelmente o norte-americano Peter Grieve. Mas essa negociação já é abalada pela dívida crescente, embora ainda tenha boas chances de se realizar.

O problema da dívida por empréstimos do Galo é que, além dos juros, há uma questão de dependência com empresas que têm interesse no futebol. Entre os bancos credores do Atlético, estão o BMG e o Inter, de Ricardo Guimarães e de Rubens Menin, que também emprestou dinheiro por outras empresas.

É provável que, na SAF, eles fiquem com uma fatia da nova empresa em troca desses débitos.

Além disso, bancos como a XP e o Pactual também fizeram empréstimos pesados ao Galo. O primeiro é consultor da Liga Forte Futebol, entidade da qual pertence o Atlético-MG para fazer a Liga do Brasileiro. Já o Pactual tem o BTG como banco da Libra, outro grupo de clubes para fazer a Liga.