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Rodrigo Mattos

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

CBF faz devassa em contratos e discute condições de acordo com a Nike

Nova camisa da seleção brasileira terá um tom de amarelo mais claro e gola polo - Reprodução/Footy Headlines
Nova camisa da seleção brasileira terá um tom de amarelo mais claro e gola polo Imagem: Reprodução/Footy Headlines
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

28/06/2022 04h00

A CBF faz uma devassa nos seus contratos de patrocínios e serviços para identificar possíveis irregularidades ou maus negócios. Como parte deste movimento, já enviou questionamentos à Nike sobre problemas do acordo e seus valores. Está descartado, no entanto, rompimento entre as partes: a confederação afirma que cumprirá todo o contrato, que tem duração até 2025.

Eleito em abril de 2022, o novo presidente Ednaldo Rodrigues prometeu fazer uma limpeza na imagem da CBF. Internamente, há uma auditoria em alguns contratos. Rodrigues fez pedido aos vice-presidentes da CBF, que compõe o Conselho de Administração do clube, para aprovarem uma devassa em todos os acordos. Antes disso, já tinha sido iniciada uma auditoria em alguns dos acordos.

"Diante disso, a CBF, dentro das premissas que fazem parte da nova gestão, está debruçada sobre os vários contratos vigentes, com o objetivo de entender estes contratos, revisá-los, identificar os pontos que precisam ser ajustados. E uma das bases para que esse diálogo e entendimento aconteçam vem da aproximação do novo presidente da CBF para que ele leve pessoalmente suas ideias às empresas patrocinadoras da entidade", informou a confederação ao ser questionada pelo blog.

Um dos problemas encontrados foi no contrato com a Nike. Foram identificadas falta de 40 mil peças que deveriam ser entregues à CBF. A nova diretoria também está insatisfeita com o valor pago pela empresa norte-americana, considerado abaixo do mercado internacional para a seleção brasileira. Por isso, foi mandada uma carta para a Nike com alguns pontos sobre o acordo atual.

Durante o processo, dirigentes da CBF descobriram que a Nike, no passado, tinha se oferecido para aumentar o contrato desde que fossem tomadas medidas de compliance e governança. A empresa chegou a mandar uma carta pedindo a saída do então presidente Marco Polo Del Nero. A sugestão não foi aceita, e Del Nero só saiu porque preciso se afastar, já que viria a ser banido pela Fifa por acusação de corrupção no caso Fifa. Com isso, não houve reajuste do acordo.

Agora, a CBF aceita possíveis mudanças no contrato para incluir salvaguardas contra corrupção. Mas Rodrigues descarta qualquer rompimento e vai manter os contratos. "No que diz respeito especificamente ao contrato da Nike, a direção da CBF afirma que vai ser cumprido até o final do prazo", disse a CBF.

Questionada, a Nike afirmou que não falaria sobre a discussão da relação contratual: "A Nike não comenta detalhes de contratos respaldados por cláusulas de confidencialidade".

Em outro acordo de patrocínio, a CBF já identificou dois intermediários no mesmo contrato. A empresa, cujo nome não foi revelado, informou a confederação que desconhecia qualquer um dos que levaram comissão pelos acordos.

"Em relação a qualquer irregularidade que, porventura, venha a ser encontrada dentro da CBF, a determinação é que imediatamente seja resolvida com suspensão de atividades que não compactuem com as premissas da nova diretoria", disse a confederação.

Na nova gestão, a CBF aceitou que a Klefer, empresa envolvida em denúncias do caso Fifa, participasse de concorrência por patrocínio do Campeonato Brasileiro. A empresa tem contrato até 2022 e foi investigada pelo departamento de EUA por supostamente pagar propina a dirigentes em troca desse acordo. Agora, a CBF não deve contratar a empresa pelas questões de idoneidade.

Veja abaixo a nota da CBF:

"A nova gestão da CBF tem o compromisso público com a transparência , a credibilidade e a lisura em todas as suas ações. E um dos principais pilares da gestão, que tem à frente Ednaldo Rodrigues é o estabelecimento de regras claras, que também tenham como princípio o diálogo.

Diante disso a CBF, dentro das premissas que fazem parte da nova gestão, está debruçada sobre os vários contratos vigentes, com o objetivo de entender estes contratos, revisá-los, identificar os pontos que precisam ser ajustados. E uma das bases para que esse diálogo e entendimento aconteçam vem da aproximação do novo presidente da CBF para que ele leve pessoalmente suas ideias às empresas patrocinadoras da entidade.

Vale destacar que contratos longos podem sempre passar por processos de ajuste, de adequação. E este é um movimento natural, diante de mudanças que acontecem na conjuntura mundial e também no esporte. E estes contratos podem ser revistos. É preciso deixar claro que o objetivo principal é sempre o de dialogar e estreitar as relações.

Ressaltamos também que é compromisso da diretoria da CBF ser fiel no cumprimento de seus contratos. Portanto, não há qualquer processo litigioso ou algo semelhante. No que diz respeito especificamente ao contrato da Nike, a direção da CBF afirma que vai ser cumprido até o final do prazo.

Em relação a qualquer irregularidade que, porventura, venha a ser encontrada dentro da CBF, a determinação é que imediatamente seja resolvida com suspensão de atividades que não compactuem com as premissas da nova diretoria. A diretoria da CBF repudia quaisquer práticas que não sigam os pilares da nova administração, não importa em que esfera, seja no que diz respeito aos contratos de patrocínio, assim como contratos com fornecedores.

A construção de uma marca depende de sua transparência e seu histórico perante a sociedade, empresas e cidadãos. E a marca da CBF não pode e não deve ser desrespeitada, por representar o futebol que é o maior vencedor mundial. É nosso objetivo, após momentos de extremo desgaste, recuperar a marca da CBF e sua imagem de instituição respeitada no mercado nacional e internacional.

Reiteramos, como parte das premissas da nova gestão, que todos os contratos que a CBF assinar daqui para frente - além daqueles que já existem e estão vigentes e em situação regular - , passarão a ter a cláusula anticorrupção, que é uma exigência que, até então, não havia sido adotada. Esta passa a ser uma cláusula obrigatória em todos os contratos que a CBF assinar, por determinação do presidente da entidade.

Além disso, toda e qualquer denúncia que houver e for registrada, sempre será acolhida pela área competente da CBF. As regras de compliance serão respeitadas e as empresas deverão cumprir e se adequar a todos estes padrões."