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Flamengo paga com crise por omissão na reformulação de elenco

Diego Alves, goleiro do Flamengo, em treino no Ninho do Urubu - Gilvan de Souza/Flamengo
Diego Alves, goleiro do Flamengo, em treino no Ninho do Urubu Imagem: Gilvan de Souza/Flamengo
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

20/05/2022 04h01

Após seguidas semanas de pressão, o Flamengo teria uma janela de paz após uma boa vitória sobre a Universidad Catolica. Isso acabou com a confusão em torno da repercussão de falas do técnico Paulo Sousa sobre o goleiro Diego Alves que geraram um atrito entre os dois. É um episódio que só ocorre por conta da omissão da diretoria do Flamengo na hora de reformular seu elenco no final ano.

Diego Alves é um goleiro de papel histórico no Flamengo, campeão da Libertadores com participações decisivas. Na temporada de 2021, já demonstrava sinais de queda técnica.

Antes da final da Libertadores, diante do Palmeiras, a diretoria optou pela renovação do seu contrato, assim como de Diego Ribas e Filipe Luis, este último o único que tem jogado com regularidade. O vice-presidente de Futebol, Marcos Braz, teve papel decisivo nesta medida. A argumentação é de que a renovação fazia sentido naquele momento, véspera de uma decisão com peso para o clube.

Com contratação de Paulo Sousa, Diego Alves foi preterido em preferência do jovem Hugo. O experiente arqueiro praticamente não jogou em 2022 e as notícias envolvendo seu nome eram de problemas físicos. Lembremos que Sousa foi contratado para reformular o elenco.

Depois da falha de Hugo, no sábado, diante do Ceará, o jornal "O Globo" publicou que Diego Alves se apresentou no domingo em condições de jogar na terça-feira diante de Catolica. Ele, no entanto, não foi a campo no Maracanã. Lá estava no gol Hugo, vaiado pela torcida.

Na coletiva após o jogo, um repórter perguntou a Paulo Sousa se Diego Alves poderia jogar. O treinador informou que ele dizia não estar em condições desde o jogo com o Botafogo. Segundo o treinador, era essa a informação até a manhã de segunda-feira em contato feito pelo jogador com o staff de Paulo Sousa. "À tarde, o Diego diz que estava melhorzinho. E que estava capaz para treinar", diz Sousa na coletiva. "Não é por uma reunião que teve com o Bruno Spindel (diretor de futebol) na hora do almoço que rapidamente recuperou e estava pronto para jogar."

Do que se dá para apurar do caso, só é possível constatar que Diego Alves está irritado com a declaração do treinador. Todo o restante é composto por uma série de versões em que é difícil determinar quais os fatos reais, ruído de comunicação ou tentativas de manipular a opinião pública e torcida em favor de interesses particulares. Houve uma reunião entre as partes, mas a crise continua quente pelo menos até o jogo do Goiás.

Não é a primeira vez que Diego Alves tem atrito com técnico: houve fato similar com Dorival Jr em 2018. E sua transição de ídolo da torcida para terceiro goleiro obviamente não seria confortável para nenhum jogador.

Tecnicamente, ainda que com as falhas de Hugo, Diego não demonstrou nesta temporada ter condições de atuar no gol do Flamengo. Ora, independentemente de quem tenha razão no imbróglio, deixa-lo encostado no clube causa um problema ao ambiente.

E foi a diretoria do futebol quem optou por manter o goleiro no elenco do Flamengo mesmo com os indicativos de que já não entregava o retorno técnico. Depois, a mesma diretoria foi contratar Paulo Sousa para reformular o elenco e o time. São essas duas decisões contraditórias que levaram ao conflito atual. É um exemplo de auto-boicote típico do Flamengo.