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Rodrigo Mattos

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Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Galo não equilibra contas nem com premiações e explode dívida com bancos

Jogadores do Atlético-MG posam para a foto oficial após a conquista do título brasileiro - GILSON JUNIO/W9 PRESS/Estadao Conteudo) 05/12/2021 - Foto: GILSON JUNIO/W9 PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Jogadores do Atlético-MG posam para a foto oficial após a conquista do título brasileiro Imagem: GILSON JUNIO/W9 PRESS/Estadao Conteudo) 05/12/2021 - Foto: GILSON JUNIO/W9 PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

07/05/2022 04h00

Apesar das premiações Atlético-MG gastou em excesso no futebol e teve de cobrir o buraco com um crescimento grande da sua dívida com bancos. É o que mostra o balanço do clube de 2021. A família Menin ajudou ao dar aval e garantias, mas o dinheiro para bancar o time campeão da Copa do Brasil e do Brasileiro veio de bancos.

O Galo teve um aumento considerável da sua receita: atingiu R$ 504,8 milhões. São desconsiderados nesse número rendas por reavaliações de imóveis que não tem efeito no caixa. Em 2020, a receita total era de R$ 137 milhões. E como esse aumento ocorreu?

O Atlético-MG conseguiu R$ 279 milhões em receitas de transmissão e premiação. Lembremos que os prêmios da Copa do Brasil e do Brasileiros, juntos, giram em torno de R$ 100 milhões. Além disso, como em todos os clubes, o ano passado teve receitas de TV referentes ao ano anterior pela extensão do Brasileiro, isto é, todos tiveram ganhos inflados neste item.

O clube ainda dobrou receitas de patrocínio e teve receitas altas de bilheteria no final do ano. E incluiu a venda de Junior Alonso ao Krasnodar nas contas do ano passado, o que elevou o montante obtido com negociações para a casa de R$ 100 milhões.

Os méritos esportivos e no incremento de receita do Galo, no entanto, não produziram dinheiro suficiente para o clube ser sustentável. O custo do futebol saltou para R$ 522,1 milhões, mais de R$ 200 milhões superior do que no ano de 2020. É preciso ressaltar que, deste total, R$ 128 milhões são em amortizações de direitos, ou seja, não têm efeito no caixa e são meramente contábeis.

Então o Galo tem dinheiro para bancar seu futebol? Não, porque o clube tem uma dívida altíssima com instituições financeiras, com tributos, com clubes e agentes. Só o custo desse débito foi de R$ 97 milhões em 2022.

"Precisamos de uma solução definitiva (para os custos bancários), tivermos um ano maravilhoso e precisamos pagar o custo", afirmou o diretor financeiro atleticano, Paulo Braz, no Galo Bussiness Day.

O que aconteceu na realidade em 2021 é que o Galo aumentou o tamanho do seu problema de endividamento com altos juros. O total dos empréstimos saltou para R$ 574,9 milhões, um aumento de R$ 100 milhões. Pior, esse incremento foi bancário, não com os mecenas da família Menin.

Houve empréstimos novos com os bancos Pactual, XP, ABC e Indusval. E a maioria com juros acima do CDI. Com isso, o valor de débitos bancários aumentou em R$ 183,1 milhões no ano. Esses empréstimos são feitos com aval e garantias de dirigentes do clube, segundo o balanço. O blog apurou que é a família Menin quem dá a garantia.

Ao mesmo tempo, houve uma redução na dívida com instituições jurídicas bancárias (R$ 185 milhões) ou partes relacionadas (R$ 62 milhões), que são os empréstimos diretos feitos pelos mecenas ou suas empresas. Outro boa notícia é a redução das dívidas na Fifa e com clubes por contratações: o total caiu em mais de R$ 100 milhões - ficou em R$ 111 milhões.

No total, o Galo fechou o ano com uma dívida líquida de R$ 1,312 bilhão (todo o passivo, menos o ativo e recebíveis a longo prazo). Com isso, houve um incremento em torno de R$ 80 milhões em relação ao ano passado. O balanço informou que houve uma reapresentação das contas, o que alterou alguns números. A dívida líquida de 2020 sofreu pequeno reajuste.

Em 2022, o Galo conseguiu uma redução da sua dívida fiscal em R$ 51 milhões ao aderir a programa do governo PERSE para a pandemia, que tem sido usado por boa parte dos times brasileiros.

Em sua fala, Braz disse que o objetivo era manter a dívida estável até a venda do Diamond Mall para botar quitar uma parte significativa - isso terá de passar pelo Conselho Deliberativo. A avaliação do imóvel gira em torno de R$ 350 milhões. "Infelizmente, o Atlético-MG tem uma dívida que é a maior do Brasil", disse o presidente do clube, Sergio Coelho, na apresentação dos números. "Precisamos vender o Diamond."

Por enquanto, sem venda e sem SAF, a realidade o Galo não fecha a conta entre receita e despesa. O balanço mostra um superávit de R$ 102 milhões. Só que esse número foi possível por reavaliações de imóveis como a Arena MRV que geraram R$ 245 milhões. Esses valores não têm efeito caixa, não entram para ajudar o clube. Sem isso, o Atlético-MG teria um buraco de mais de R$ 100 milhões mesmo tendo ganho as duas principais competições nacionais do ano.