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Rodrigo Mattos

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Como pay-per-view dos Estaduais influencia na renda de clubes no Brasileiro

Taça do Campeonato Mineiro  - Fernando Moreno/AGIF
Taça do Campeonato Mineiro Imagem: Fernando Moreno/AGIF
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

16/01/2022 04h00

Após idas e vindas, a Globo fechou a compra dos direitos de pay-per-view do Paulista, Gaúcho e Mineiro. Houve uma tentativa de fechar com o Carioca que não foi bem-sucedida na negociação com a Ferj. Os contratos de ppv para os Estaduais têm uma influência na receita do Brasileiro, tanto para a emissora quanto para os clube.

Com o fim dos contratos antigos, a Globo decidiu reduzir drasticamente o seu investimento nos campeonatos regionais. A avaliação interna da emissora é de que as competições não geravam retorno comercial pelo que era pago.

Diante do novo cenário, a emissora fez propostas bem inferiores para direitos de TV Aberta. Mas, em compensação, apostou na manutenção dos direitos do ppv. Para isso, foram propostos modelos com renda variável para o Mineiro, Gaúcho e Carioca. Ou seja, os campeonatos seriam remunerados de acordo com o número de assinantes do Premiere ligados aos times participantes.

Não houve acordo no Rio por conta das desavenças com a Ferj. Em Minas e no Rio Grande do Sul, foram fechados contratos, com exceção dos jogos como mandante do Cruzeiro. Os contratos são curtos. Nos acordos de TV Aberta, há previsão de transmissão das filiadas, com acordos comerciais locais.

Em São Paulo, a Globo também acertou a compra de 97 partidas no ppv. O formato da negociação não é conhecido. Para estes direitos, houve maior disputa no mercado, a FPF (Federação Paulista de Futebol) também transmitirá as partidas no Paulistão Play.

A preferência da Globo pelo ppv tem uma explicação: estancar a sangria do seu produto premiere. O pacote de jogos já sofre uma queda anual no período dos Estaduais pois há um interesse bem menor do que no Brasileiro - há queda de assinantes nesta época. Mas, sem jogos durante três meses, o efeito seria ainda mais drástico - a Globo só teria partidas da Copa do Brasil.

O premiere já sofre com a queda da base de assinantes da TV a cabo. No segundo semestre do ano passado, o número de adesões era em torno de 1.4 milhão, de um total que já chegou a 2 milhões.

Mas a Globo não é a única que perde. Com a saída de assinantes, os clubes também têm redução na sua cota recebida pelo ppv, que é baseada no número de assinantes que se declaram torcedores dos times. As únicas exceções são Flamengo, Corinthians e Grêmio que têm valores mínimos garantidos por contrato.

No caso dos outros, se o torcedor vai embora, o clube tem queda na sua renda no ppv. Ou seja, uma debandada afeta o bolso dos times. Essa questão é ainda mais relevantes para times que estão na Série B, como Vasco e Cruzeiro. As duas equipes não têm acesso a remunerações por TV Aberta ou Fechada: só ficam com o dinheiro do ppv por estarem na Segunda (há a opção de aderirem ao contrato da Série B, o que é bem mais desvantajoso).

O calendário do futebol brasileiro, com três a quatro meses destinados aos Estaduais, é que obriga a Globo e clubes a turbinarem as competições no ppv. Se o Brasileiro fosse estendido por mais meses, o pacote pago poderia ter maior estabilidade, seja nas mãos da Globo ou de outra plataforma.