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Rodrigo Mattos

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Jogador brasileiro perde valor e mercado em transferências no mundo

Coutinho foi vendido por quantia milionária ao Barça em 2018 e agora emprestado ao Aston Villa - Divulgação/Aston Villa
Coutinho foi vendido por quantia milionária ao Barça em 2018 e agora emprestado ao Aston Villa Imagem: Divulgação/Aston Villa
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

15/01/2022 04h00

O jogador brasileiro tem se desvalorizado nos últimos três anos e deixou de ser o principal ativo do mercado do futebol. É o que aponta o novo relatório da Fifa sobre transferência no ano de 2021. Pela primeira vez, houve mais gasto na contratação de atletas franceses do que brasileiros, que sempre lideraram o ranking.

É preciso lembrar que o atleta nacional representa o maior volume de transferência no mundo. Em número total, o país continua na frente. Mas cada vez se paga menos pelos brasileiros que perdem espaço nas contratações globais.

No relatório da Fifa de 2021, foi gasto US$ 468,4 milhões (R$ 2,6 bilhões) em jogadores brasileiros, independente do clube que os negociou. Em comparação, foram investidos US$ 643,6 milhões (R$ 3,558 bilhões) em atletas franceses.

O Brasil continua a liderar em transferências total de jogadores: foram 1.749. Esse número mantém-se estável desde 2018. A diferença é que se gasta cada vez menos nos atletas nacionais. Em 2018, foi US$ 1,154 bilhão (R$ 6,4 bilhões). Ou seja, os jogadores nacionais geram menos da metade da receita anterior.

"Em 2021, o gasto em jogadores brasileiros, que tem caído desde 2018, caiu pelo terceiro ano seguido. Depois de uma queda severa em 2020, o gasto com jogadores franceses se recuperou, mas se mantém abaixo dos níveis de 2019", diz o relatório da Fifa

Em média, o jogador brasileiro vale menos da metade do que o francês. Cada atleta nacional teve sua transferência em média no valor de US$ 267 mil, enquanto o jogador francês foi por US$ 833 mil.

É óbvio que há um efeito do câmbio desvalorizado nos últimos anos. É mais barato comprar atletas no país em dólar. Mas o jogador brasileiro também é revendido lá fora entre clubes europeus e de outros continentes.

Aliás, em termos de recepção de dinheiro: os clubes brasileiros continuam com níveis similar de receita em dólar com transferências de anos anteriores. O patamar é em torno de US$ 300 milhões por ano. A diferença é que entra mais reais para os cofres dos clubes. O Brasil é o sexto país com mais receitas com jogadores.

Em compensação, com a moeda fraca, o país continua fora da lista de top 10 que mais gastam com contratações no mercado global. Está atrás de países como Turquia e Rússia.

Na lista de clubes sul-americanos que mais gastaram em 2021, o Red Bull Bragantino é o líder, seguido pelo Atlético-MG. Grêmio, Palmeiras e São Paulo completam a lista dos cinco maiores gastadores. Lembremos que essa relação só considera transferências internacionais, de fora do país, e não as nacionais. Ainda assim, é surpreendente que o Flamengo tenha ficado fora da lista, reflexo da política de contenção do clube no ano passado.