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Rodrigo Mattos

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Premier League ganha mais com TV só nos EUA do que Brasileiro inteiro

Cristiano Ronaldo é uma das estrelas da Premier League - GettyImages
Cristiano Ronaldo é uma das estrelas da Premier League Imagem: GettyImages
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

21/11/2021 04h00

A Premier League assinou um novo contrato de direitos de TV com NBC para o mercado norte-americano. O contrato gera um total de US$ 2,7 bilhões (R$ 15 bilhões) por seis anos. O valor anual vai superar com larga vantagem todo o valor dos direitos do Brasileiro.

O mercado norte-americano gera as maiores receitas para venda de campeonatos no exterior. Isso vale para Copa do Mundo, Copa América, Euro, etc. O valor de cada competição nos EUA, portanto, é uma referência sobre a arrecadação e a posição de cada liga.

Assim, a Premier League abriu um abismo financeiro entre seus principais concorrentes como a Bundesliga, La Liga e a Italiana Série A. Essa diferença já era grande por conta dos contratos domésticos e em outras praças internacionais. Mas o novo acordo surpreendeu pelo aumento da distância que vai impactar na montagem de times.

A NBC era a casa da Premier League nos EUA desde 2013. O novo acordo, no entanto, mais do que dobra o montante pago pela competição. Serão R$ 2,5 bilhões por ano.

Como comparação, o Brasileiro vale no país em torno de R$ 1,7 e 1,8 bilhão para os clubes nacionais. A Globo é a única compradora de direitos em 2022 no momento - há direitos em aberto. Esse montante é referente ao valor pago pelos direitos de TV Aberta e Fechada, em torno de R$ 1,1 bilhão, e um percentual do pay-per-view destino aos times. A venda internacional gera mais R$ 2 milhões por times, isto é, R$ 40 milhões por ano.

O campeonato brasileiro está entre os dez mais valiosos do mundo, provavelmente na sexta posição atrás das ligas europeias.

Em comparação com outras ligas, a La Liga fechou um acordo de oito anos pelos seus direitos nos EUA: foram US$ 1,4 bilhão (R$ 7,85 bilhões). Ou seja, terá direito a em torno de R$ 1 bilhão por ano para exibição de seus jogos na ESPN. Assim, seu valor é menos da metade do que a Premier League.

Os números atuais da liga inglesa são explicados por uma estratégia de longo prazo desde a sua estruturação na década de 90. O campeonato é mais competitivo e equilibrado, tem gramados melhores, produção de primeira linha e foi atraindo os atletas mais estelares com o tempo pela maior receita dos clubes.

Com o novo acordo, os times ingleses terão ainda mais vantagens competitivas em relação ao restante do mundo. Na comparação com o Brasil, em que distância já era grande, resta saber se a atual iniciativa de estruturar uma liga nacional dará certo. Só assim o país poderia reduzir a disparidade atual para os mercados europeus, e especialmente para o inglês.