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Rodrigo Mattos

REPORTAGEM

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Globo terá de pagar R$ 223 milhões à Conmebol por acordo da Libertadores

Conmebol define calendário das semifinais da Libertadores; confira - GettyImages
Conmebol define calendário das semifinais da Libertadores; confira Imagem: GettyImages
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

28/10/2021 04h00

A Globo terá de pagar uma indenização de US$ 40 milhões (R$ 223 milhões) para a Conmebol para encerrar a disputa relacionada à rescisão da Libertadores. Esse valor representa um terço do total cobrado pela confederação sul-americana na ação em tribunal arbitral suíço. Com o acordo, a emissora poderá voltar a disputar os direitos da competição.

Em agosto de 2020, a Globo comunicou a Conmebol do rompimento de seu acordo por direitos em TV aberta e fechada da Libertadores. Alegava um período sem competições na pandemia. Cada ano de contrato implicava US$ 60 milhões de pagamento da emissora para transmitir o torneio.

Depois disso, a emissora tentou fazer uma proposta menor para manter a Libertadores, mas a Conmebol rechaçou. Preferiu vender os direitos para o SBT. E entrou com o processo na corte suíça pedindo todo o valor restante do contrato —US$ 120 milhões— até 2023.

A briga se desenrolou por mais de um ano e impedia a Globo de adquirir direitos da Conmebol, como Libertadores e Copa América. Houve reuniões de aproximações entre as partes durante este período, especialmente para tentar amenizar a irritação da diretoria da confederação sul-americana com a Globo. Intermediários atuaram como bombeiros para aproximar as partes.

As conversas para um acerto final foram complexas e tensas das duas partes. Havia bastante diferença entre o pedido feito pela Conmebol e o que foi oferecido pela Globo. Além disso, havia pendências antigas relacionadas a contratos anteriores. Ao final, foi estabelecido o valor de US$ 40 milhões para zerar as relações entre os dois lados. Até que a emissora optou pelo acordo para poder voltar a concorrer pela competição de clubes que é prioritária em sua estratégia.

Não é a primeira vez que a Globo tem que pagar indenização por rompimento de contratos durante a pandemia. Ao encerrar seu acordo pelo Carioca, a emissora teve de fazer acordos com Fluminense, Vasco e Botafogo. Foram desembolsados R$ 90 milhões para os três clubes, entre pagamentos e antecipações dos contratos do Brasileiro.

Além disso, a Ferj processa a Globo pela rescisão do contrato. A Justiça do Rio de Janeiro, em primeira instância, reconheceu o direito da federação fluminense de receber R$ 156 milhões de indenização da Globo. Ainda não há uma conclusão do processo. Caso tenha que pagar esse valor, a emissora já somaria quase R$ 500 milhões em indenizações pelos contratos de TV.

Procurada para falar sobre o valor a ser pago da Conmebol, a Globo afirmou que não comentaria valores ou termos do acordo. A nota da emissora só confirma o fim do litígio entre as partes.

"Conmebol e Globo chegaram a um acordo e decidiram encerrar a arbitragem em curso na Suíça por conta da rescisão do contrato de direitos da Copa Libertadores de 2019 a 2022. O entendimento reforça o respeito que sempre pautou a parceria de longa data entre as instituições."