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Rodrigo Mattos

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Como Conmebol e Globo se acertaram na Libertadores após um ano de conflito

Taça da Libertadores - Divulgação/Conmebol
Taça da Libertadores Imagem: Divulgação/Conmebol
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

26/10/2021 04h00

Durante um ano, Conmebol e Globo viveram em conflito em disputa comercial e por causa da rescisão do contrato da Libertadores. O acordo entre as partes saiu com a emissora pagando uma indenização para a confederação. O acerto atende interesse comercial das duas partes para desatar a concorrência por competições sul-americanas.

Foi em agosto de 2020 que a Globo rescindiu o contrato da Libertadores porque queria pagar menos: alegava problemas da pandemia. Insatisfeita, a Conmebol vendeu os direitos ao SBT e processou a emissora carioca na Suíça, pedindo US$ 120 milhões.

Durante este período, a Conmebol fez uma concorrência de direitos para a Copa América que ficou longe da Globo. A emissora demonstrou interesse e fez proposta, mas foi descartada por causa da disputa com a Conmebol.

Agora, a confederação sul-americana prepara a concorrência para os direitos da Libertadores a partir de 2023. As regras já estão sendo discutidas com as emissoras, inclusive a Globo. Mas o processo, que será por meio de licitação, só deve se desencadear de vez no início de 2022.

Ou seja, a Globo precisava desenrolar a disputa com a Conmebol agora para poder participar do processo. E a Libertadores tornou-se uma competição prioritária para a emissora carioca que decidiu investir em campeonatos nacionais e internacionais. Estaduais estão em segundo plano.

Do outro lado, a Conmebol teria uma concorrência fraca pela TV Aberta do Brasil na Libertadores caso a Globo estivesse barrada. O SBT, atual detentor dos direitos, já tem conseguido gerar renda para no mínimo empatar o valor pago pela competição. Portanto, deve se interessar pela nova concorrência. Assim, há a expectativa de que a confederação gere mais dinheiro.

Se não houvesse acordo agora, a Globo continuaria a ter um problema na disputa na corte arbitral da Suíça, com a possibilidade de ter de pagar um valor ainda maior. E com o prejuízo de ser barrada da concorrência comercial importante. Neste cenário, a Globo decidiu fazer um esforço financeiro considerável, a indenização foi alta, embora uma fatia do total cobrado de US$ 120 milhões.

Além disso, a Globo também está interessada na Sul-Americana, competição secundária da Conmebol. Com o novo formato, há seis jogos garantidos dos times, sendo que há bom número de brasileiros. A competição é vista como mais atrativa.

A Conmebol TV, que transmite os jogos da Sul-Americana e alguns da Libertadores, não tem sua continuidade garantida. No processo de licitação, a confederação pretende incluir os jogos transmitidos no canal específico da entidade que tinha em torno de 400 mil assinantes. Isso porque podem haver propostas melhores do que o dinheiro gerado pelas atuais assinaturas.

A concorrência deve ser feita com empacotamento de jogos como ocorreu na última licitação. Na ocasião, a Globo ficou com um pacote de jogos de TV Aberta —dois por rodada—, mais segundas escolhas da TV Fechada. A Fox levou o primeiro pacote de TV Fechada. E o Facebook ficou com partidas de quinta-feira.