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Rodrigo Mattos

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Medalha de Italo é a mais barata do país nos Jogos; mais cara é do vôlei

Ítalo Ferreira e Gabriel Medina retornaram ao Circuito Mundial de Surfe - GettyImages
Ítalo Ferreira e Gabriel Medina retornaram ao Circuito Mundial de Surfe Imagem: GettyImages
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

11/08/2021 00h04

Em termos de investimento público, a medalha mais barata para a delegação brasileira foi o ouro do surfista Italo Ferreira, e a mais cara foi a premiação de prata do time de vôlei feminino. O blog fez um levantamento e cálculo em cima dos investimentos feitos em cada modalidade no último ciclo olímpico com dinheiro da Lei Agnelo Piva.

A legislação brasileira destina um percentual dos recursos da loteria para o COB, que distribui para as confederações. Os critérios estabelecidos pelo comitê olímpico para determinar a fatia de cada modalidade são resultados esportivos e gestão.

O levantamento foi feito a partir dos relatórios sobre os últimos quatro anos, além de números complementares financeiros da entidade. Só foi considerado o valor de fato investido, não o orçamento inicial. É importante que se diga que esse é o principal recurso público para o esporte olímpico, mas não o único. Algumas federações têm patrocínio público, caso do vôlei, e há o Bolsa Atleta.

O futebol foi excluído da conta porque abre mão de sua fatia na Lei Agnelo/Piva. Seu investimento é bem maior do que de outras federações.

O Brasil conquistou um total de 21 medalhas, recorde em sua participação olímpica. Foram obtidas em 12 modalidades.

Dessas, quem menos recebeu recurso foi o surfe, com um total de R$ 2,7 milhões em três anos de ciclo olímpico, pois a confederação só passou a ter repasses de valores em 2018. Ou seja, a medalha de ouro de Italo Ferreira custou este montante para os cofres públicos em investimento direto.

O segundo esporte com melhor custo-benefício foi o skate. Um total de R$ 9,2 milhões foram destinados à modalidade, também em três anos. Ou seja, foram R$ 3,1 milhões de investimento para cada medalha de prata: Rayssa Leal, Kelvin Hoefler e Pedro Barros.

Lembremos que surfe e skate são dois esportes estreantes e, por isso, seus praticantes já costumam se bancar com recursos próprios, seja de premiações de competições, seja de patrocínios. Por isso, até faz sentido que o investimento tenha sido menor em ambos, ainda mais que os atletas se formaram com pouca participação do COB.

Em terceiro, apareceu um esporte tradicional que teve sérios problemas de gestão durante o ciclo olímpico. A CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) nem pôde receber dinheiro da Lei Agnelo/Piva diretamente durante a maior parte dos quatro anos por causa de irregularidades na gestão. Ainda assim, houve investimento direto do COB. Neste quadro, houve um custo de R$ 5,2 milhões por cada uma das três medalhas obtidas: ouro com Ana Marcela, e bronzes de Bruno Fratus e Fernando Scheffer.

O boxe, com três medalhas, esteve próximo, com R$ 6,6 milhões por pódio. Destaque para o ouro de Hebert Conceição. O esporte tem bom investimento com um total de R$ 19,6 milhões.

Na outra ponta, estão esportes que tradicionalmente proporcionam medalhas para o Brasil, mas tiveram um rendimento abaixo do esperado na Olimpíada. São os casos do judô e do vôlei. São as duas confederações que mais recebem recursos da loteria. Com dois pódios, o judô teve um custo-benefício de R$ 14,4 milhões por premiado.

Já o vôlei, esporte com maior volume de dinheiro, só levou uma prata com o time feminino de vôlei. A equipe masculina e as de vôlei de praia decepcionaram. Assim, o custo da prata foi de R$ 30,5 milhões. E lembremos que a confederação ainda conta o patrocínio vultoso do Banco do Brasil, o maior do esporte olímpico.

Outros com custo alto por medalha foram a canoagem e a vela, esportes que exigem alto investimento. Cada um teve gasto na casa de R$ 19 milhões no ciclo olímpico para trazer um pódio cada. Assim como a CBDA, a Vela teve investimentos diretos de COB por estar impedida de receber recursos públicos em determinados momentos — há um problema com uma dívida de imposto em processo judicial.

Veja abaixo o valor investido por medalha por esporte:

1 - Surfe - R$ 2,7 milhões

2 - Skate - R$ 3,1 milhões

3 - Natação/esportes aquáticos - R$ 5,2 milhões

4 - Boxe - R$ 6,6 milhões

5 - Atletismo - R$ 9,3 milhões

6 - Ginástica - R$ 9,2 milhões

7 - Tênis - R$ 11,5 milhões

8 - Judô - R$ 14,4 milhões

9 - Vela - R$ 19,5 milhões

10 - Canoagem - R$ 19,7 milhões

11 - Vôlei - R$ 30,5 milhões

* Futebol não foi incluído na conta pois não recebe recurso público