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Rodrigo Mattos

REPORTAGEM

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Debate de clubes por público na Série A cresce, mas CBF e governos esfriam

Goleiro Richard tira a bola de soco em lance pelo clássico entre Ceará e Fortaleza - CAIO ROCHA/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO
Goleiro Richard tira a bola de soco em lance pelo clássico entre Ceará e Fortaleza Imagem: CAIO ROCHA/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

06/07/2021 04h00

A pressão de uma parte dos clubes pela volta da presença de público tem crescido em conversas entre eles e com a CBF. Não estão permitidos torcedores nos estádios desde março de 2020 por causa da pandemia de coronavírus. A CBF esfria a iniciativa neste momento e só vê clima para o debate em setembro ou outubro.

Como exemplo, Fortaleza e Ceará iniciaram uma tentativa com o governo do Estado de ter torcedores no clássico local em agosto. Os dois clubes pretendem marcar uma reunião com a Secretaria de Saúde do Estado do Ceará para liberar o público só no confronto entre eles —o encontro ocorreria nesta segunda-feira, mas foi desmarcado.

Ao blog, o presidente do Fortaleza, Marcelo Paz, argumentou que a presença de torcedores só no clássico local não iria interferir no equilíbrio do campeonato. Isso porque não representaria vantagem para nenhum time já que ficaria restrito aos dois times cearenses. A ideia era fazer um jogo com público vacinado.

A CBF até admitiria essa proposta para um jogo isolado. Embora não se oponham à ideia, outros clubes ouvidos entendem que deveria haver uma aprovação de todos para o clássico cearense.

Além disso, o Flamengo continua reivindicando em todas as conversas com a CBF a volta de público. A campanha do clube começou com o presidente afastado Rogério Caboclo e continua com a atual cúpula da confederação. Mas esbarra no veto da prefeitura do Rio de Janeiro de permitir público em estádios, o que se refletiu na Copa América. E outros times cariocas como Fluminense e Botafogo são contra.

Não é uma campanha isolada. Há uma pressão maior de clubes que são mais dependentes da receita de público em conversa entre eles, segundo dirigentes. A CBF, no entanto, informou que não recebeu solicitações formais.

Em São Paulo, os clubes têm consciência de que o Estado está muito longe de até estudar a volta de público. Os protocolos para disputa das partidas —que chegaram a ser proibidas durante um período deste ano— continuam rígidos, segundo dirigentes ouvidos pelo blog.

Em reunião na CBF, os clubes tinham decidido que a volta do público só se daria quando todos os Estados tivessem liberados a presença de torcedores para não haver um desequilíbrio no campeonato. Na ocasião, o Flamengo chegou a questionar a medida. Mas houve apoio de todos os outros clubes.

A diretoria da CBF entende que não há clima agora para a volta de público. Estima que isso possa ocorrer em setembro ou outubro com uma queda efetiva nos números da pandemia.

No momento, a média móvel de casos e mortes por coronavírus está em queda no Brasil. Mas o número de óbitos continua em torno de 1.500 por dia, com cerca de 50 mil novos casos. Ou seja, ainda é um estágio grave da pandemia. O número de vacinados com a segunda dose ainda está abaixo de 20% da população adulta.

Na Europa, depois de jogos cheios na Euro, o Reino Unido aprovou a volta do público em estádios sem restrições. Mas o país tem uma situação da pandemia bem mais controlada pela vacinação em massa. Em número de mortes, o Reino Unido tem 0,25 morte por milhão de pessoa enquanto o número do Brasil está acima de 7 por milhão.

Rodrigo Mattos