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Rodrigo Mattos

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Após crise, Conmebol refaz patrocínios da Copa América, SBT vende 5 cotas

Brasil e Venezuela na Copa América (Reprodução/SBT). - Reprodução / Internet
Brasil e Venezuela na Copa América (Reprodução/SBT). Imagem: Reprodução / Internet
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

15/06/2021 04h00

O anúncio da Copa América no Brasil gerou críticas por causa de oposição política e impactou a parte comercial do torneio. Três patrocinadores da competição - Mastercard, Ambev e Diageo— desistiram de ativar campanhas, embora tenham mantido contratos. Após esta crise, a Conmebol aposta na paz política para novo plano para explorar a competição. Já o SBT tem cinco cotas de patrocínio vendidas e negocia mais uma.

A transmissão do jogo de abertura entre Brasil e Venezuela revelou o SBT com cinco cotas de patrocínio - Betfair, Havan, Madero, CSN e Philco. A informação inicial era de que havia uma divisão de receitas, mas o SBT nega. É um modelo diferente do executado com a Globo. "O SBT, na venda de cotas de patrocínio ou qualquer espaço publicitário, não desenvolve nenhum trabalho em conjunto com a Conmebol", informou a emissora por meio de assessoria.

Os pacotes são vendidos para toda a competição, segundo a emissora, incluindo abertura, jogos da seleção e final. Há conversa com o setor comercial da Conmebol para não haver concorrência entre parceiros.

Em comparação, a Globo tinha negociado sete cotas de patrocínio na última Copa América. Usou o torneio também dentro do seu pacote de futebol.

Há ainda uma interação entre patrocinadores da Conmebol e CBF. Tanto que as placas de patrocínios em volta do campo tiveram dois parceiros da confederação brasileira, Cimed e Farmácia Pague Menos. A segunda empresa também anunciou nos intervalos do SBT.

Após a estreia, a Conmebol já recebeu a procura de outros patrocinadores. A avaliação é que a temperatura política em torno do torneio deve diminuir e, por isso, reduzir o temor de empresas se associarem à Copa América. Além disso, os resultados de audiência do SBT foram positivos na estreia.

O presidente da República, Jair Bolsonaro, não foi à abertura do torneio: avisou à Conmebol que não compareceria. Nas redes sociais, Bolsonaro fez propaganda do SBT e do torneio, gerando engajamento dos seus apoiadores. Mas a avaliação é que, aos poucos, há uma redução dessa ligação política.

No momento, o site da Conmbeol exibe um patrocinador principal que é a TCL. Entre os outros apoiadores, estão a Kwai, a Betsson e a Sinovac. Esta última entrou com a cessão de vacinas. A Kwai desistiu de patrocinar a Copa América ano SBT.

O desafio da entidade sul-americana não é pequeno. O orçamento da entidade previa despesas de US$ 120 milhões com a Copa América, embora esses valores certamente devem cair com o torneio mais enxuto. Mas há despesas como a premiação de seleções que é fixa, com US$ 4 milhões por seleção. O campeão levará US$ 10 milhões pela previsão inicial.

Há uma percepção na Conmebol de que é possível que a Copa América tenha algum prejuízo, mas será capaz de bancar a maior parte das despesas do torneio. Para isso, é essencial que o plano comercial alternativo funcione ou todo o esforço para realizar a competição terá sido em vão.

Errata: o texto foi atualizado
Ao contrário do que informado anteriormente, a TCL decidiu manter a exposuição da marca durante a Copa América e, portanto, não desistiu. O erro foi corrigido.
Ao contrário do que publicado anteriormente, o nome da farmácia patrocinadora é "Pague Menos" e não "Pague +". O erro foi corrigido.

Rodrigo Mattos