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Rodrigo Mattos

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Flamengo se impõe com brilho do ataque apesar dos erros defensivos

Arrascaeta comemora golaço pelo Flamengo contra o Vélez Sarsfield pela Libertadores - Juan Mabromata - Pool/Getty Images
Arrascaeta comemora golaço pelo Flamengo contra o Vélez Sarsfield pela Libertadores Imagem: Juan Mabromata - Pool/Getty Images
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

21/04/2021 00h00

Não é possível no futebol ter tudo, um time desenvolto no ataque e sem sofrer nada em sua defesa. Mas há uma necessidade de equilíbrio especialmente em uma competição que cobra os erros na Libertadores. Pois, em sua estreia diante do Velez, o Flamengo sobrou ofensivamente enquanto cometeu falhas coletivas atrás.

O início rubro-negro demonstrava porque se justificava a precaução do time argentino em sua escalação mesmo em casa. O Flamengo tinha a posse de bola e impedia a saída de bola rival que não conseguia jogar. O Vélez, com a linha de defesa de até cinco jogadores, bloqueava as principais jogadas.

O problema é que, quando o time argentino teve um espaço, a defesa rubro-negra cometeu um erro coletivo de posicionamento que culminou no drible sobre Gustavo Henrique, e no posterior gol de Janson. O lance surgiu de uma bola perdida. A partir dali, o time ficou perdido durante alguns minutos. Não sofreu porque havia dificuldade técnica do Vélez.

O Flamengo se recuperou quando Gerson apareceu no jogo. Mal na partida até aquele momento, ele achou dois passes lúcidos para Arão e Everton Ribeiro. O primeiro fez o gol, o segundo, não.

O segundo tempo repetiu o que tinha ocorrido antes do intervalo. Outro erro na defesa, desta vez, na bola aérea. Gustavo Henrique perdeu pelo alto e Filipe Luís permitiu a conclusão livre de Janson. Um Vélez que chegou pouco com condições claras fazia dois gols.

Mais do que isso, havia um buraco no meio-campo rubro-negro, um espaço grande entre a linha ofensiva e o restante do time. A marcação pressão rubro-negra não era acompanhada da subida da equipe.

Há uma discussão pertinente se deveria jogar Diego ou Arão ali, mas não é por falta de qualidade em suas atuações e sim pelo desempenho coletivo. Por que Diego foi individualmente talvez o melhor em campo em sua atuação como volante, cobrindo espaços como ninguém. Não se pode ter certeza qual a melhor opção para Rogério Ceni, sim, que há um problema a acertar ali. O próprio treinador admitiu que é preciso reduzir o número de gols sofridos.

Com a bola, o Flamengo voltou a brilhar. Gabigol achou uma jogada na área e sofreu um pênalti: bateu com seu "nervosismo" habitual para empatar. Até que os erros técnicos do Vélez pesaram quando sua defesa deu uma pixotada que deixou Arrascaeta com espaço para soltar uma bomba e virar.

Uma estreia que mostra todos as qualidades e problemas do Flamengo. Mas não é pouco vencer na Argentina diante de um time duro como o Vélez.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Rodrigo Mattos