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Rodrigo Mattos

REPORTAGEM

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Plano da Superliga prevê que clube ganhe até R$ 1,8 bilhão por edição

Torcedores do Leeds United seguram uma faixa contra a criação da Superliga Europeia - Photo by Paul ELLIS / AFP
Torcedores do Leeds United seguram uma faixa contra a criação da Superliga Europeia Imagem: Photo by Paul ELLIS / AFP
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

19/04/2021 16h45

Anunciada no domingo, a Superliga prevê um dos clubes fundadores ganhe até R$ 1,8 bilhão por edição do torneio. É o que está no plano financeiro da competição ao qual o blog teve acesso e estava montado no início do ano. Com isso, a competição gera quase o triplo do que o campeão da Champions League pode costuma arrecadar. Essa é a explicação para a tentativa de rompimento.

Foram 12 clubes que anunciaram a criação da Superliga: Real Madrid, Barcelona, Atlético de Madrid, Manchester United, Arsenal, Tottenham, City, Liverpool, Chelsea, Inter de Milão, Milan e Juventus. Há uma disputa com a UEFA que ameaça com punições e banimentos dos clubes. Isso porque o torneio terá direto impacto sobre a Champions League

O plano prevê a presença de 15 clubes fundadores e cinco variáveis, classificados segundo critérios a definir. Disputam um campeonato de 20 clubes. Os privilégios financeiros são todos dos fundadores. Para estes, estão destinados de cara 3,5 bilhões de euros para investimentos. Esse dinheiro foi levantado junto ao JP Morgan e será devolvido em pagamento feitos pela liga.

Do total, cada clube ficará com um valor entre 100 milhões de euros (R$ 670 milhões) e 350 milhões de euros (R$ 2,3 bilhões), dependendo da sua classificação interna dentro da liga.

Para isso, a previsão da Superliga é de gerar uma receita de 4 bilhões de euros anuais, mais do que a Champions League. Desse total de dinheiro, uma parte será usada para o pagamento do JP Morgan, outro para custoso da competição, comissões, etc. Sobrará 3,2 bilhões por ano para serem distribuídos pelos clubes.

As agremiações fundadoras ficarão com a maior parte do dinheiro em um complexo sistema de distribuição. De cara, Real Madrid e Barcelona têm cotas extras de 30 milhões de euros cada um.

A partir daí, a maior parte da receita (65%) terá uma destinação já definida independente de resultados. Os clubes fundadores ficam com 119 milhões de euros (R$ 800 milhões) garantidos cada um. Só esse valor já é superior ao que o Bayern Munique, campeão da última edição, ganhou na Champions League.

Há outros 20% divididos por méritos. Um valor de 540 milhões de euros será pago por ranking do ano anterior. E haverá prêmios por classificações: o campeão ganha 40 milhões de euros extras.

Por último, há 15% distribuídos por reconhecimento do clube junto ao público. Esse dinheiro também vai só para os clubes fundadores em uma divisão desigual.

No final, o documento informa que os clubes podem ganhar entre 56 milhões de euros e 240 milhões de euros por cada ano da liga. Real e Barcelona tem suas fatias extras. Assim, o ganho total de um clube na Superliga atinge até 270 milhões de euros (R$ 1,8 bilhão). Isso representa praticamente três vezes o que o campeão da Champions costuma arrecadar.

No total, os clubes jogariam um máximo de 23 partidas na Superliga, e um mínimo de 18 jogos. Ou seja, ganhariam mais de 10 milhões de euros por partida do campeonato.

Rodrigo Mattos