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Rodrigo Mattos

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Por que a Champions League deve ter mudança radical no formato

Real Madrid enfrenta o Liverpool na volta da Champions - Oscar J. Barroso / Europa Press Sports via Getty Images
Real Madrid enfrenta o Liverpool na volta da Champions Imagem: Oscar J. Barroso / Europa Press Sports via Getty Images
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

06/04/2021 04h00

Enquanto se iniciam as quartas-de-final, a Champions League está prestes a aprovar uma alteração radical na sua fórmula de disputa para a partir de 2024. O formato tradicional será trocado por um modelo com uma tabela única e novos critérios de classificação. Por trás dessa modificação está uma disputa política e financeira envolvendo os superclubes europeus, a UEFA e a Fifa.

A história começou quando os grandes clubes europeus organizaram-se por uma rebelião contra o sistema atual do futebol. Seu objetivo era criar uma Superliga com 20 times que não teria rebaixamento ou promoção, e sim participantes fixos no estilo NBA. Não teria conexão com a UEFA ou a Fifa.

Comandado pelo Real Madrid, que enfrenta o Liverpool nesta terça-feira, o plano já estava detalhado em janeiro e previa que o novo campeonato arrecadasse 4 bilhões de euros (R$ 26 bilhões). Sua prioridade seriam confrontos entre os superclubes em uma liga, deixando de lado os campeonatos nacionais.

Houve forte resistência da UEFA e da Fifa que veem na nova competição uma caminho para a elitização do futebol com a formação de uma casta eternamente superior. A briga, que envolveu oposição até da Conmebol, acabou em um recuo momentâneo dos clubes. Em troca, a UEFA faria alterações na fórmula da Champions League para torna-la mais rentável.

Atualmente, a competição tem 32 times a partir da sua fase de grupos e gera 3,25 bilhões de euros. São 2 bilhões distribuídos para os clubes, isto é, eles ganham metade do que arrecadariam com a Superliga que pretendiam criar. Assim, a UEFA tinha que aumentar a receita da Champions para acalmar os superclubes.

Só há um jeito de incrementar o dinheiro de uma competição: aumentar o número de jogos. Já foi aprovado um novo formato acordado entre UEFA e a ECA (entidade de grandes clubes). Essa fórmula seria oficializada na semana passada e agora ficou para nova reunião em 19 de abril. Há resistências das ligas nacionais que perdem espaço de jogos.

O novo formato acabará com os grupos e criará uma tabela única com 36 times na primeira fase. Cada uma dessas equipes jogará um total de 10 partidas nesta etapa. Os adversários de cada um serão definidos por rankings e sorteios. Ou seja, haverá quatro jogos a mais por time em relação à fase de grupos atual.

A partir daí, os oito primeiros colocados na tabela de 36 times estarão classificados automaticamente para as oitavas de final. As equipes posicionadas entre o 9º e o 24º lugar terão de disputar um mata-mata extra. Os vencedores se juntarão aos oito primeiros para formar a fase de playoffs. Depois desta etapa, a competição seguirá igual à formula atual.

Com essas mudanças, um time poderá jogar até 19 partidas para ser campeão. Atualmente, são no máximo 13 jogos se a agremiação começar da fase de grupos.

No total, haverá um incremento de 100 partidas na Champions League, isto é, a UEFA poderá cobrar mais de televisões e patrocinadores por maior número de exibições. E já houve mudança na distribuição de renda entre clubes com um novo critério por ranking de aproveitamento nos últimos dez anos. Isso favorece justamente os superclubes que sempre estão na competição.

Os clubes mais tradicionais ainda seriam favorecidos com duas entradas por convite caso não se classifiquem em suas ligas para a Champions. Seriam convites por critério técnico. Esse ponto gera polêmica entre as ligas.

A "nova Champions", portanto, é fruto de uma tentativa de acomodação entre o interesse dos superclubes de ficarem ainda mais ricos e da UEFA de manter a existência da competição sem que os times a abandonem por uma outra aventura.

Rodrigo Mattos