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Rodrigo Mattos

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

MP do Mandante avança, trava acordos da Globo e ameaça ppv do Brasileiro

Jair Bolsonaro (ao centro, sem máscara) recebeu representantes de clubes no final de junho em conversa por MP do Mandante - Marcos Corrêa/PR
Jair Bolsonaro (ao centro, sem máscara) recebeu representantes de clubes no final de junho em conversa por MP do Mandante Imagem: Marcos Corrêa/PR
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

25/03/2021 04h00

A Globo tem negociações complicadas pelos direitos de pay-per-view do Brasileiro com Cuiabá e Juventude. Isso porque os dois clubes estão à espera da reedição da MP do Mandante para conversar com concorrentes. Boa parte dos clubes considera certo que o governo federal publicará de novo a lei na próxima semana.

Sem os dois clubes, a Globo não teria 108 partidas da Série A no ppv. Ao mesmo tempo, isso poderia travar negociações das agremiações e a emissora para outras plataformas.

Com o fim da Série B, Cuiabá e Juventude eram os dois times da Série A que não tinham contratos com a Globo. Nas negociações, a emissora ofereceu a mesma proposta que para a maioria dos outros clubes, com contratos para TV Aberta e Fechada, com 40% igual, 30% por posição e 30% por exibição. As diretorias das agremiações aceitaram essas condições para essas mídias.

Mas, nas conversas sobre ppv, o negócio emperrou porque o Cuiabá e o Juventude não aceitaram só ficar com um percentual dos seus torcedores entre os assinantes. É uma rejeição comum entre equipes de menor torcida, houve complicação com o Red Bull Bragantino em 2020.

No meio do caminho, as diretorias dos dois times ficaram sabendo da possibilidade de nova edição da MP do Mandante pelo governo federal. O presidente Jair Bolsonaro editou uma lei que dá apenas aos clubes donos da casa os direitos sobre os jogos. Isso aumentou o poder de barganha dos clubes e complicou a situação para a Globo.

A expectativa de clubes da Série A é de que a nova MP do Mandante seja editada por Bolsonaro já na próxima semana. Essa foi a promessa feita a eles, segundo várias fontes de times que confirmaram a informação.

Neste cenário, Cuiabá e Juventude decidiram travar as negociações à espera da lei que lhes permitiria negociar 19 partidas em casa com outras empresas de comunicação. Ao mesmo tempo, a Globo quer fechar o pacote com os dois clubes mais rápido.

Na emissora, a estratégia dos dois clubes é vista como um risco. Ou seja, poderia haver um recuo de outras propostas por TV Aberta e Fechada para as quais já existe acordo. Em 2016, quando clubes assinaram contrato para TV fechada com a Turner, a Globo reduziu a proposta para eles na Aberta.

A questão é que, sem Juventude e Cuiabá, a Globo somaria três times fora do seu ppv, já que o Athetico-PR também não assinou. O clube paranaense está transmitindo seus jogos em plataforma própria graças a uma ação na Justiça que lhe deu direitos de usar a MP do Mandante.

Sem três times, a Globo deixaria de ter 108 partidas do Brasileiro em seu ppv, em vez de apenas os 38 jogos do Furacão. Isso representaria 28% do campeonato. O ppv da Globo já vem sofrendo por não ter jogos de alguns Estaduais como o Carioca, além das paralisações do futebol pelo país. Há uma queda de arrecadação no país.