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Rodrigo Mattos

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Temporada consolida domínio de ricos Flamengo e Palmeiras no Brasil

Flamengo levou o bi do Brasileirão - GettyImages
Flamengo levou o bi do Brasileirão Imagem: GettyImages
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

27/02/2021 04h00

Clubes mais ricos do país, Flamengo e Palmeiras levaram o Brasileiro e a Libertadores na temporada 2020 —o time alviverde ainda pode conquistar a Copa do Brasil. Consolidam seu domínio no futebol nacional com quatro dos últimos cinco títulos do Brasileiro, além das duas últimas taças continentais. É um reflexo do que ocorre nas finanças dos dois clubes.

Desde 2017, Flamengo e Palmeiras aparecem no topo da lista de receita de clubes brasileiros. Embora os números do ano passado não estejam fechados, isso deve ser mantido em 2020. Há uma possibilidade de o Grêmio ameaçar pela venda de Everton Cebolinha.

A receita rubro-negra deve fechar em um número entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões apesar da pandemia que gerou forte queda de arrecadação. Já a renda palmeirense na temporada foi fortemente turbinada por premiações de Libertadores e de Copa do Brasil: chegou a superar o valor rubro-negro do ano anterior, de 2019.

Essa receita é fruto tanto de renda frequente, como contratos de marketing e televisão, como excepcionais, como venda de jogador e premiações. Os dois clubes têm vendido vários jogadores ao exterior após forte investimento nas divisões de base.

Como resultado, Flamengo e Palmeiras têm investimento maior em seus elencos. O time rubro-negro gastou mais de R$ 200 milhões para montar o time base de 2019. E, desde então, fez investimentos extras como Léo Pereira, Michael e Pedro. Com a pandemia, terá de botar o pé no freio neste ano e vender R$ 90 milhões em jogadores.

Ainda assim, seu elenco permanece forte e o time foi capaz de ganhar o Brasileiro mesmo com uma campanha irregular e marcada por problemas. Em um campeonato de pandemia, com sobe e desce constante dos times, pegou a liderança na penúltima rodada pelos pés de talentos como Gerson, Arrascaeta e Gabigol, todos caros.

No caso palmeirense, o título da Libertadores também veio com uma campanha que não foi brilhante, mas foi calculada na força do elenco. De um lado, os recém-formados Gabriel Menino, Patrick de Paula e Danilo. Do outro, Luiz Adriano, Gustavo Gómez, Viña, Weverton, atletas de desempenho muito acima da média nacional.

Assim como o Flamengo faz agora, o Palmeiras tirou o pé dos investimentos em contratações na temporada de 2020 para não arriscar a austeridade financeira. Ainda assim, obteve os resultados esportivos nesta temporada.

Uma fórmula bem diferente do rival Corinthians que vinha acelerando gastos mesmo sem ter receitas que os sustentassem. Até por isso o clube alvinegro, maior vencedor na década corrente, tem perdido espaços e já não ganha nacionalmente há três anos. O São Paulo, outro com potencial financeiro para ameaçar o domínio alviverde e rubro-negro, também ficou para trás com uma gestão problemática que agora deixa o clube. Uma reação desses clubes poderia gerar alteração no cenário atual. Além disso, há os projetos de Atlético-MG e Grêmio, o primeiro por ter mecenas e o segundo pela gestão eficiente, que podem ameaçar as duas forças dominantes.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Rodrigo Mattos