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Rodrigo Mattos

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Gol do Inter contra o Vasco foi validado pelo auxiliar de campo? Checamos

Imagem do dossiê enviado pelo Vasco pedindo anulação do jogo contra o Inter. Intenção é mostrar que ombro de Rodrigo Dourado estaria à frente - Reprodução
Imagem do dossiê enviado pelo Vasco pedindo anulação do jogo contra o Inter. Intenção é mostrar que ombro de Rodrigo Dourado estaria à frente Imagem: Reprodução
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

25/02/2021 16h18

A divulgação das imagens e áudios do VAR gerou uma série de questionamentos sobre a forma como o gol de Rodrigo Dourado, do Internacional, foi validado. Entre os pontos está uma discussão sobre se o auxiliar Danilo Ricardo Simon Manis tinha visto impedimento ou não do volante quando faz o tento. Afinal, ele foi responsável pela decisão final. Pois bem, Manis entendeu que o gol foi legal.

Vamos à explicação. A dúvida surgiu pelo diálogo final do VAR no debate sobre o lance. Primeiro, lembremos, o operador de VAR Paulo não consegue traçar as linhas de impedimento de forma confiável. O árbitro de VAR José Cláudio Rocha Filho insiste e tenta usar uma linha feita pelo operador. Ao final, Rocha afirma: "Flávio, gol legal, gol legal."

Como último diálogo, o auxiliar Danilo Ricardo Simon Manis afirma: "Deixa eu só fazer um comentário: Eu alertei sobre esse jogador que ele estava em posição...Faz a preventiva", diz ele. "Tá bom, tá bom, Danilo", reponde o VAR. E ele completa: "Aí evita isso".

Essa frase gerou a interpretação, inclusive do Vasco, de que Danilo Manis tinha visto impedimento no lance. Mas "fazer a preventiva" é uma expressão usada pela arbitragem que significa avisar um jogador que ele está impedimento antes do lance, isto é, antes do cruzamento. É um procedimento padrão de árbitros para evitar problemas no lance posterior, segundo duas fontes de arbitragem.

O auxiliar Danilo Manis, então, informara o árbitro Flávio Rodrigues para alertar Dourado que ele estava impedido antes do cruzamento. Depois, quando a falta é cobrada, sua decisão é de considerar o atleta do Internacional em posição legal, tanto que não levanta a bandeira. Apesar do VAR, concluído o lance, o auxiliar deve levantar a bandeira se entender que foi impedimento.

A partir daí, vem a discussão da linha do VAR que se desenrola de forma caótica sem que esse recurso possa ser traçado de forma correta para conferir. A linha traçada indica um impedimento, mas o operador destaca que esta não está "tecnicamente" "boa". O Vasco alega que a imagem mostra impedimento.

Sem conseguir checar, o árbitro do VAR José Cláudio Rocha afirma que o gol foi legal. Teoricamente, isso pode gerar discussão se foi ele quem validou, e não o campo. Mas sua decisão confirma o que tinha sido decidido pelo bandeira Danilo Manis.

Um ponto é que as imagens e áudios mostram que não houve checagem do lance, ao contrário do que diz a CBF. Em nota, após o incidente, a entidade afirmou: "A comissão destaca que o lance do primeiro gol do Internacional, mesmo assim foi checado pela equipe do VAR, não sendo constatado nenhum erro claro da arbitragem do campo", diz a CBF. Na realidade, checar seria atestar a veracidade da decisão do campo, o que em nenhum momento é ouvido nos áudios do VAR. Não se chega a conclusão sobre o impedimento nos diálogos do VAR. A comunicação do árbitro de vídeo é criticada por especialista ouvido pelo blog.

O Vasco usará as imagens e áudios do VAR na sua ação para tentar anular a partida.

Rodrigo Mattos