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Rodrigo Mattos

NOTÍCIA

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CBF desequilibra Campeonato Brasileiro contra o Vasco com VAR ineficiente

O árbitro Flávio Rodrigues de Souza durante a partida entre Vasco e Internacional, em São Januário, pelo Brasileirão 2020 - Thiago Ribeiro/AGIF
O árbitro Flávio Rodrigues de Souza durante a partida entre Vasco e Internacional, em São Januário, pelo Brasileirão 2020 Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

15/02/2021 04h00

Quando Dourado anotou o gol do Internacional de cabeça contra o Vasco, o árbitro Flávio Rodrigues passou minutos esperando uma sinalização da sala do VAR sobre se a posição era legal. Uma resposta baseada nas linhas de impedimento de árbitro de vídeos usadas no Campeonato Brasileiro nunca veio. O VAR falhou, e valeu a decisão da arbitragem em campo.

Esse tipo de pane no sistema nunca ocorreu segundo a CBF. Uma informação inicial é de que as linhas do VAR se descalibraram pelo efeito entre sombra e o sol. Essa informação foi dada pela comentarista Renata Ruel, da ESPN, e confirmada pelo blog. A confederação pediu explicações da empresa Hawk-Eye, responsável pelo VAR do Brasileirão e da Copa do Mundo também. As imagens disponíveis, sem linhas, são inconclusivas.

O lance foi checado, sim, pelos árbitros de vídeo no olho. O lance do gol de Gabigol, do Flamengo, mostra que essa checagem é insuficiente. No olho nu, o centroavante parece impedido mesmo na imagem quando faz o gol da vitória sobre o Corinthians. Com as linhas do VAR, fica claro que não estava.

Ora, dito isso, foi negado ao Vasco um sistema de checagem de impedimento que esteve disponível em todo o campeonato, para todos os times. Isso em um momento crucial do Brasileirão e da história da equipe vascaína. Na zona do rebaixamento, a equipe cruzmaltina ficou um ponto atrás do Bahia na tabela ma briga pela permanência.

É certo que todas as equipes brasileiras sofreram com erros de arbitragem neste Brasileirão. O VAR reduziu, sim, o número de falhas dos árbitros, mas seguem problemas de interpretação, de critérios, que levam a decisões equivocadas. No próprio jogo Vasco x Inter, Flávio Rodrigues marcou um pênalti inexistente em Cano, que o perde.

Dito isso, uma falha de sistema de vídeo é mais grave. Porque nega a um time o mesmo recurso que foi dado a todos os outros durante o campeonato em lances decisivos. Não é um simples erro de um juiz: é como se um réu não pudesse usar uma prova que o inocenta. Isso torna o sistema injusto e desequilibrado para o Vasco.

Há um efeito na disputa pelo título também, já que o Inter briga com o Flamengo pela ponta. Mas isso é até secundário diante do prejuízo para o Vasco.

Maltratado durante anos por administrações perniciosas, o Vasco tem, enfim, uma gestão que se apresenta como uma chance de recuperação financeira em Jorge Salgado. Assumiu, no entanto, em meio a uma briga contra o rebaixamento que gera um prejuízo de R$ 60 milhões em cotas de televisão. Isso sem mencionar efeitos indiretos, como sócio-torcedor, bilheteria e patrocínio. É um golpe de tacape na instituição.

Claro que a campanha que levou o Vasco à beira do rebaixamento não é culpa da CBF. O ex-presidente Alexandre Campelo montou mal o elenco, escolheu mal técnicos... Mas, além disso, é cruel um sistema de VAR do Brasileirão negar ao clube um julgamento ao menos justo no momento crucial em que tenta se salvar.

Se o Vasco cair por conta desse lance, a Hwak-Eye ou a CBF vão indenizar o clube no seu prejuízo?

Rodrigo Mattos