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Rodrigo Mattos

Palmeiras tem mérito de não se desesperar e corrigir rota até Libertadores

Abel Ferreira comemora o título da Copa Libertadores pelo Palmeiras - Staff Images/Conmebol
Abel Ferreira comemora o título da Copa Libertadores pelo Palmeiras Imagem: Staff Images/Conmebol
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

31/01/2021 04h00

Ao final de 2019, o Palmeiras era um clube em baixa, longe dos títulos importantes e com problemas em suas contas. No meio da temporada de 2020, era um time sem ideias em campo, estagnado. O mérito da diretoria alviverde foi ter tido calma para corrigir a rota do clube nesses dois momentos até chegar ao título da Libertadores.

Primeiro, ao final da temporada passada, o clube via o Flamengo vencer as duas taças mais importantes. Seria tentador acelerar os gastos para chegar no adversário com quem briga pelo posto de maior investimento do Brasil. Não era hora, no entanto, já que o clube acumulava uma dívida com a patrocinadora Crefisa.

Em vez disso, a diretoria alviverde desacelerou os gastos com o futebol e passou a apostar mais firme na sua divisão de base. Suas categorias inferiores já recebiam investimentos há cinco anos e vinham gerando atletas com potencial. Mas eles não eram aproveitados no time principal na gestão de Alexandre Mattos.

Com isso, jogadores como Patrick de Paula, Gabriel Menino, Danilo e Gabriel Verón passaram a ser aproveitados, enquanto o time economizava e vendia até atletas como Dudu. Não que tenha construído um time barato já que Ronny foi uma contratação cara e o elenco era robusto. Mas segurou a onda.

É verdade que errou na escolha de seu técnico ao optar por um Vanderlei Luxemburgo que já apresentava poucas ideias em sua carreira há anos. O resultado foi um futebol decepcionante, sem alternativas ofensivas, lento. O título do Paulista não mascarou a esterilidade da equipe palmeirense exposta no Brasileiro.

Aí veio o segundo acerto da diretoria palmeirense. Foi feita uma correção de rota com a demissão e a procura de um técnico estrangeiro, opção que já deveria ter sido feita no início da temporada. Pois bem, o clube tentou várias alternativas como Miguel Angel Ramírez, mas recebeu algumas negativas.

Poderia ter contratado ele apenas para a próxima temporada, mas preferiu insistir até achar Abel Ferreira no Paok. Era um técnico promissor de carreira curta. Uma aposta, sem dúvida, nenhuma certeza de que daria certo.

Abel soube entender o cenário brasileiro em meio a uma pandemia de coronavírus. Montou um Palmeiras rápido, reativo e eficiente. Não, não é um time brilhante, dominante no cenário nacional. Mas é uma equipe com uma ideia clara de como atacar. Certamente, a longo prazo, ele terá de apresentar mais variações. No meio de uma temporada, era uma boa evolução.

Foi assim que o time bateu o River Plate na semifinal da Libertadores, um River que é um timaço e superior ao Palmeiras. É óbvio que houve uma dose de sorte naquele segundo jogo, com os gols anulados (todos corretos) e com o River incapaz de fazer o placar de três gols. Mas a primeira parte tem o mérito do Palmeiras letal.

Repetiu-se na final diante do Santos. Um jogo truncado, cauteloso e de poucas chances. Poderia ter ido para qualquer lado. O Palmeiras manteve-se concentrado até o final e fez o gol decisivo com Breno Lopes, que entrou no jogo pelas mãos de Abel Ferreira. No final, a cabeça fria alviverde, nos momentos de crise, foram recompensadas.