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Rodrigo Mattos

Como seria Superliga de clubes da Europa que irritou Fifa, Uefa e Conmebol

Presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, em assembleia do clube - Divulgação/Real Madrid
Presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, em assembleia do clube Imagem: Divulgação/Real Madrid
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

23/01/2021 04h00

Idealizado por agremiações gigantes europeias, como Real Madrid e Manchester United, o plano da Superliga de clubes europeus previa duas grandes competições, uma liga e um Mundial, que impactariam em campeonatos de clube e de seleções pelo mundo. Foi o que apurou o blog ao ter acesso a detalhes do plano. Times da América do Sul poderiam ser impactados pelo novo Mundial.

Por isso, UEFA e Conmebol lideraram a resistência à competição por verem impacto na Champions League e em outras competições de seleções e clubes. Juntamente com a Fifa, soltaram comunicado nesta quinta-feira ameaçando jogadores que participassem da Superliga de exclusão da Copa do Mundo. É uma forma de tentar barrar o projeto. A Fifa foi pressionada pelas confederações a se posicionar.

O plano de criação da Superliga é liderado pelo Real Madrid e o Manchester United com o objetivo de aumentar as receitas de todos os clubes. O projeto foi revelado pelo jornal americano "New York Times" que relatou a existência de duas alternativas para o plano. O blog teve acesso a dados similares que mostram que o planejamento vai além da Europa com um Mundial.

Pelo plano, são 15 clubes fundadores da liga que são fixos na competição. Além deles, há outros cinco clubes convidados para formar o total de 20 participantes.

Está dito que haverá cinco países representados permanentemente pelos times. Não estão especificados os países, mas o lógico seriam as cinco principais ligas: Inglaterra, Espanha, França, Alemanha e Itália. E as vagas dos cinco convidados seriam de outros cinco países. Não é detalhado um critério para os convites. Segundo o NYT, a tendência é que as vagas de convidados fossem ocupadas por europeus. Até porque os jogos são no meio de semana, entre partidas dos campeonatos nacionais.

Há um ano, Flamengo, Boca Juniors e River Plate mantiveram conversas com os times europeus sobre participarem desta liga. Os gigantes europeus admitiram que esses times poderiam ser fixos nas conversas. Mas, depois, esses clubes sul-americanos não foram mais procurados pelos idealizadores da Superliga durante 2020. O projeto andou e foi para o papel. E incluiu um Mundial de clubes diferente do previsto pela Fifa e impacto nas seleções.

Esse assunto gerou resistência na Conmebol que se uniu à UEFA na contrariedade com o plano da Superliga. A entidade sul-americana já tinha ficado irritada com a Fifa quando topou conversar com o Real Madid sobre a Superliga. Desta veja, a Fifa, que tinha uma posição ambígua sobre o tema, ficou do lado das confederações condenando a Superliga.

Pela fórmula da Superliga do plano, seriam dois grupos de 10 times. Os quatro primeiros de cada grupo passariam para quartas-de-final e, a partir daí, seria um mata-mata. A competição seria disputada em agosto e junho (fase classificatórias) e maio e junho (mata-matas). A previsão seria começar na temporada 2022/2023.

Cada clube jogaria de 18 a 23 vezes, não haveria rebaixamento, nem qualificação por meio de campeonatos domésticos. Embora fosse em período de folga, os clubes não disputariam mais as Copas de seus países, apenas as ligas nacionais.

Isso causou contrariedade na UEFA. Afinal, a competição tornaria a Champions secundária e aumentaria o abismo financeiro desses 15 superclubes para os demais nos campeonatos nacionais. A avaliação é de que a Liga Europa também seria tornada irrelevante.

A Superliga classificaria 12 times para um Mundial de clubes anual que teria um formato diferente do planejado pela Fifa. Seriam 32 times, com essas 12 equipes e outras da Europa e do restante do mundo - não há definição de quantos de cada continente. O Mundial ocorreria em três semanas de janeiro em formato de mata-mata.

O formato do Mundial não está de acordo com a fórmula idealizada pela Fifa que tinha 24 times. Há uma desconfiança na Conmebol e na UEFA de que o presidente Gianni Infantino tenha aprovado esse novo Mundial idealizado pelos superclubes. A ideia seria começar a disputar a competição em 2023/2024.

Mais do que isso, as confederações estão irritadas porque todo o calendário mundial giraria em torno da Superliga e do novo Mundial de clubes. Seriam afetadas janelas internacionais para jogos de seleções que teriam períodos menores, os campeonatos nacionais teriam espaços limitados e as Copas nacionais seriam ignoradas.

Por isso, o comunicado das seis confederações continentais e da Fifa foi duro: "Por conta das recentes especulações na mídia da criação de uma uma Superliga europeia por alguns clubes europeus, a Fifa e as seis confederações (AFC, CAF, Concacaf, Conmebol, OFC e UEFA) mais uma vez gostariam de reiterar e enfatizar de forma forte que tal competição não seria reconhecida pela Fifa ou por suas respectiva confederação. Qualquer clube ou jogador envolvido neste tipo de competição iria como consequência não ter sua participação permitida em nenhuma competição organizada pela Fifa e por sua confederação."

Isso significa que os jogadores que participassem da Superliga seriam excluídos da Copa do Mundo, da Copa América e da Euro, além da Libertadores e da Champions League. Além disso, as confederações e a Fifa questionam que a Superliga acabaria com o mérito no futebol ao acabar com as classificações por meio de campeonatos nacionais, e sim, com clubes fixos.

Rodrigo Mattos