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Rodrigo Mattos

Destaque contra River, base do Palmeiras teve maior investimento em 5 anos

Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

06/01/2021 04h00

O Palmeiras foi o clube que mais investiu no Brasil na divisão de base nos últimos cinco anos: um total de R$ 123 milhões. É o que mostra um levantamento da EY sobre as contas dos clubes. O desempenho dos meninos alviverdes na semifinal diante do River Plate mostrou que a estratégia foi bem-sucedida.

Em sua escalação, o técnico Abel Ferreira optou por formar um meio-campo apenas com garotos da base, Danilo, Gabriel Menino e Patrick de Paula. Deixou Rafael Veiga, que era titular na maioria dos jogos, no banco para fortalecer o bloqueio ao time argentino pelo meio.

Deu certo. Menino fechou tanto o setor central, quando deu apoio para Marcos Rocha na marcação da lateral, ainda aparecendo na frente para lances de ataque. De quebra, mostrou maturidade para se aproveitar do nervosismo do River ao fazer lance de efeito, provocando com a bola, o que depois gerou uma expulsão de Carrascal. Patrick de Paula e Danilo foram igualmente bem.

A formação de um meio-campo de base é uma novidade para Palmeiras que se acostumou a formar times fortes com contratações pelo menos desde a década de 90. Foi a partir da reestruturação do clube, na gestão de Paulo Nobre e depois Maurício Galiotte, que se olhou para a base novamente.

O investimento feito pelo Palmeiras é pouco superior ao realizado pelo São Paulo, com R$ 119 milhões. O time do Morumbi já tem uma tradição de formação de atletas e de negociações posterior deles com bons valores. Outros clubes que se destacam pelo investimento na base foram Cruzeiro, Grêmio e Flamengo.

Os números da diretoria do Palmeiras são levemente diferentes, embora também mostrem forte investimento. A diretoria contabiliza que foram cerca de R$ 30 milhões de investimento na base por ano nos últimos três anos, gestão de Galiotte. Anteriormente, com Nobre, eram em média R$ 20 milhões por ano na base. De qualquer maneira, em cinco anos, isso resulta em R$ 130 milhões gasto com a formação de atletas, número bem próximo do levantado pela EY.

No documento da EY, nos últimos dois anos, Flamengo e Grêmio aparecem com investimentos maiores na base em relação ao palmeirense. O levantamento da consultoria, que é feito com os balanços de 2015 a 2019, ressalta que há algumas diferenças na contabilização dos recursos com a base. Por isso, pode haver algumas divergências no ranking. Mas é certo que o Palmeiras tem um volume bom de investimento, seja na formação, seja na captação de atletas nas categorias inferiores, item essencial no futebol atual.

Nesta semifinal, o clube pode usufruir em campo do trabalho feito em sua base. Até o ano passado, os rendimentos vinham sendo mais para o cofre, como ocorreu com a venda de Gabriel Jesus e de outros atletas que sequer estrearam no profissional.

Com dinheiro farto da Crefisa, e um diretor de futebol Alexandre Mattos que gastava bastante, havia pouco espaço para os jogadores formados no clube. O único que furou esse bloqueio foi Gabriel Jesus no time campeão brasileiro de 2016.

Uma contenção de custos na atual temporada de 2020 abriu brecha para a atual fornada de atletas atuar mais no time. O ex-treinador Vanderlei Luxemburgo deu as primeiras oportunidades, mas foi o técnico Abel Ferreira quem achou os lugares para as revelações. "Nós não olhamos a idade", disse o português, em entrevista após atropelar o River Plate.

Rodrigo Mattos