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Rodrigo Mattos

Corinthians terá um bilhão de problemas para resolver em nova gestão

Limpeza e término das instalações na Neo Química Arena devem ocorrer no prazo de 60 dias  - Divulgação
Limpeza e término das instalações na Neo Química Arena devem ocorrer no prazo de 60 dias Imagem: Divulgação
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

28/11/2020 04h00

A eleição para presidente do Corinthians, neste sábado, marca a saída do poder direto de Andrés Sanchez. Mandatário licenciado, ele dominou a política corintiana nos últimos 13 anos desde a saída de Alberto Dualib. Neste período, acumulou títulos, um estádio e uma dívida que ultrapassa R$ 1 bilhão. Não serão poucos os problemas a serem resolvidos pelo próximo dirigente corintiano com o clube tendo ficado para trás na elite do futebol brasileiro.

Como candidatos no Parque São Jorge, apresentam-se Duilio Monteiro Alves (candidato de Andrés), Mario Gobbi (ex-aliado) e Augusto Melo. Detalhemos o cenário que o vencedor vai enfrentar.

A dívida do clube já atinge R$ 824 milhões, segundo o balancete de setembro de 2020. Houve um acréscimo de cerca de R$ 60 milhões só neste ano em relação ao total divulgado no final do ano passado. Isso porque, na atual temporada, o Corinthians vendeu R$ 186 milhões em jogadores, a maior parte arrecadado com a ida de Pedrinho para o Benfica.

Obviamente, a pandemia de coronavírus dificultou a gestão corintiana, como ocorreu com outros clubes. Não por acaso o clube chegou a ter três meses de salários atrasados de jogadores durante a temporada. Mas, já em 2019, o Corinthians foi o clube com maior crescimento de débito no ano, um total de R$ 288 milhões. Isso é fruto de um problema anterior e recorrente: Andrés e os presidentes que ajudou a eleger gastam no futebol mais do que arrecadam.

Pior, investiram de forma ineficaz. O Corinthians segue sendo nos últimos anos um dos clubes com maior despesa no futebol apesar de acumular resultados ruins ou só títulos estaduais depois de 2017.

Há a questão da falta de receita de bilheteria destinado a pagar o estádio. Mas, mesmo com o dinheiro dos ingressos, não haveria recursos suficientes para quitar as despesas. E ressalte-se que esse débito da arena é fruto de uma escolha política do próprio Andres na forma como decidiu construir a Neo Química Arena, com uma estrutura superior para sediar a abertura da Copa. Todos os planos financeiros previstos para a arena, tocados pelo dirigente, fracassaram.

Nos últimos meses, a venda do naming rights e a informação de que houve novo acordo com a Caixa Econômica Federal para pagamento do empréstimo dão a impressão de que o problema está resolvido. Não está. Mesmo que saia o acordo, o clube terá de quitar um valor próximo de R$ 600 milhões, mais juros, durante os próximos anos só pelo financiamento da Caixa/BNDES. Ou seja, a dívida real do clube gira em torno de R$ 1,4 bilhão. (Não está claro o que ocorrerá com a dívida com a Odebrecht).

Um compromisso pesado para um clube que tem suas receitas estagnadas. Rivais como Flamengo e Palmeiras avançaram nos últimos anos em marketing, em seus programas de sócios-torcedor, na estruturação de suas divisões de base, na profissionalização de suas gestões. Não por acaso estão na frente do Corinthians em arrecadação nos últimos três anos. O alvinegro foi apenas o quinto em receita no ano passado (R$ 426 milhões), atrás também do Grêmio e do Internacional.

Em resumo, o Corinthians é um clube ineficiente em explorar o seu potencial, ineficiente em gastar o dinheiro que tem, ineficiente na redução das dívidas, ineficiente no planejamento do seu futebol e com mais de um bilhão de problemas para resolver. Sem uma revolução nas duas práticas atuais, será difícil sair do atoleiro.

Rodrigo Mattos