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Rodrigo Mattos

Falta de habilidade de Dome para lidar com peso do Flamengo minou trabalho

Domènec Torrent, técnico do Flamengo, durante goleada sofrida para o Atlético-MG - DUDU MACEDO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Domènec Torrent, técnico do Flamengo, durante goleada sofrida para o Atlético-MG Imagem: DUDU MACEDO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

09/11/2020 15h34

Há duas semanas o Flamengo empatava com o Internacional no jogo que foi considerado o melhor do Brasileiro. O time estava próximo da ponta e a torcida estava razoavelmente satisfeita. Depois disso, o time tomou 10 gols em quatro jogos, sendo duas goleadas contra adversários diretos da Série A. O técnico Domènec Torrent não compreendeu o peso que teria em seu futuro no clube sair tomando sacodes rodada a rodada, e por isso acabou demitido.

A demissão é certamente bem mais cedo do que esperado com apenas três meses de trabalho, e nenhum período longo de treinamento. Não dá para dizer que o treinador espanhol teve tempo para implantar plenamente suas ideias.

Mas isso era meio sabido que aconteceria desde que a diretoria do clube optou pela sua contratação. Uma aposta interessante, diga-se, em buscar um estrangeiro fora das alternativas mais tradicionais. Era um risco, mas seria igualmente um risco com o treinador brasileiro desses convencionais.

Nas idas e vindas do futebol brasileiro, o Flamengo teve uma evolução ofensiva, chegou a ficar mais de dez jogos invictos e estava na disputa das competições. Mas a equipe tinha um problema grave na sua defesa: é a segunda pior do Brasileiro. E há o peso de suceder Jorge Jesus e sua campanha vitoriosa de 2019.

Mais do que isso, Domènec não teve habilidade para entender o Flamengo: não é um time da MLS onde se pode tomar goleadas enquanto se experimenta a solução. Contra o Del Valle, pela Libertadores, sua equipe já levara três gols na altitude, estava desnorteada e ele colocou mais atacantes para marcar pressão. Resultado: tomou mais dois gols e já surgiram os primeiros pedidos de demissão. Em entrevista, falava em menos três pontos como se o placar fosse indiferente.

O time se classificou na Libertadores, chegou perto da ponta do Brasileiro. Até que, de novo, tomou quatro gols do São Paulo. Mais uma vez, o treinador deixou seu time excessivamente exposto e não admitiu erros defensivos, atribuindo tudo na conta de erros individuais.

Diante do Atlético-MG, no que seria seu jogo derradeiro, tomou dois gols em 7min. Seu time continuou atacando com uma defesa bem aberta. Quando levou o terceiro gol, de novo, lançou o time com quatro atacantes e abriu a brecha para goleada. Ao final, admitiu erros defensivos, mas ainda via a goleada como mais três pontos perdidos.

Consideradas as falhas na defesa, o trabalho de Dome teve a mesma instabilidade de outras equipes na ponta do Brasileiro. O Internacional pode perder Coudet, o São Paulo já esteve prestes a demitir Fernando Diniz, e Jorge Sampaoli foi bastante questionado no Galo (embora não ameaçado). A inabilidade do espanhol para navegar mares turbulentos acabou sendo decisiva para sua saída.

Rodrigo Mattos