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Rodrigo Mattos

Por que o Internacional não pode atender pedidos de Coudet por reforços

Eduardo Coudet durante o programa "Bem, Amigos", do Sportv - Reprodução/Sportv
Eduardo Coudet durante o programa "Bem, Amigos", do Sportv Imagem: Reprodução/Sportv
Rodrigo Mattos

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de ?O Estado de S. Paulo? em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

05/11/2020 04h00

Líder do Brasileiro, e disputando em duas outras frentes, o Internacional tem sentido falta de um elenco mais robusto. Essa é a avaliação do seu técnico Eduardo Coudet. A diretoria colorada, no entanto, resiste a contratar mais atletas. Há um motivo: a situação financeira do clube é bem complicada.

A declaração de Coudet ocorreu após a partida com o Atlético-GO pela Copa do Brasil: "Eu não sei quais serão as decisões (sobre contratações), simplesmente falo o que penso que necessitamos e o que é melhor para o momento do clube e o grupo. Mas não sou quem toma as decisões do que pode e o que não pode. Semana passada o vice-presidente disse que era mínima a chance de reforços. Disse que era difícil concretizar as coisas. Aqui todos olhamos para o que nos cabe. A mim cabe pensar no âmbito esportivo, no que eu sinto"

Ao final do ano passado, antes mesmo da pandemia do coronavírus, o Internacional já acumulava uma dívida líquida de R$ 794 milhões, uma das maiores entre clubes brasileiros. Com a crise econômica, iniciada em março, houve queda de receitas e um aumento do débito com o clube operando em déficit. O débito teve um aumento para R$ 851 milhões, segundo o balancete colorado até agosto de 2020.

Não é por acaso. No ano, o Internacional já tem um gasto acima do que seria permitido pelas suas contas. Sua receita foi de R$ 173,7 milhões nos oito primeiros meses do ano. Em comparação, ao final o ano passado, foram R$ 389 milhões em todo 2019.

Obviamente, como outros clubes, o Internacional foi afetado por interrupção de pagamentos da Globo pela paralisação do Brasileiro e adiamento de parte das cotas para 2021, por perdas com bilheteria e outras receitas relacionadas a pública. Além disso, o mercado de negociações de jogadores foi afetado mundialmente.

Por isso, a receita mal deu para cobrir a despesa de operação no total de R$ 166 milhões. Só que o clube tem outros custos financeiros, administrativos e gerais. Com isso, teve um déficit de R$ 58 milhões no período.

Para financiar esse buraco, houve um aumento no débito em empréstimos a longo prazo (R$ 39 milhões) e em impostos e obrigações sociais (R$ 27 milhões). O documento financeiro do Inter não especifica de quem pegou valores emprestados. Mas a Conmebol e a CBF adiantaram valores de cotas de competições aos times para ajudar durante o período da pandemia, e esses montantes têm que ser registrados como adiantamentos ou mútuos até que os jogos correspondentes ocorram.

Como boa parte das receitas de TV ficou para 2021, assim como premiações de Copa do Brasil, o Internacional não vive um cenário em que dê para investir mais no time, ainda que, no campo, isso se mostre necessário. Neste contexto, faz sentido a posição do diretor de futebol, Rodrigo Caetano, de dizer que está satisfeito com o grupo atual.

Rodrigo Mattos